NOTIMP - NOTICIÁRIO DA IMPRENSA

Capa Notimp Acompanhe aqui o Noticiário relativo ao Comando da Aeronáutica veiculado nos principais órgãos de comunicação do Brasil e até do mundo. O NOTIMP apresenta matérias de interesse do Comando da Aeronáutica, extraídas diretamente dos principais jornais e revistas publicados no país.


JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO


Ministros do Supremo têm 88 folgas ao ano além dos fins de semana

Calendário especial voltou ao debate após adiamento de julgamento de Lula

Ranier Bragon Publicada 01/04/2018 - 2h00

O recente adiamento por 13 dias da análise do caso do ex-presidente Lula pelo STF (Supremo Tribunal Federal) reacendeu o debate sobre a discrepância entre o calendário de trabalho do Judiciário e o da população.

Um conjunto de regras editadas durante e entre as ditaduras do Estado Novo (1937-1945) e militar (1964-1985) permite aos 11 ministros da corte 88 dias de descanso ao ano, além dos sábados e domingos, norma que se estende a todos os magistrados.

Passava das 19h do último dia 22 quando o STF decidiu que não julgaria naquele dia o habeas corpus preventivo pedido pela defesa de Lula, condenado em segunda instância na Lava Jato.

A escolha pelo adiamento foi movida, entre outros motivos, pelo apelo do ministro Marco Aurélio, que exibiu passagem aérea de viagem ao Rio, onde participaria de evento da Academia Brasileira de Direito do Trabalho.

A retomada, porém, não ocorreu no dia seguinte, uma sexta-feira, porque os ministros não fazem sessões às segundas nem às sextas.

O julgamento também não foi marcado para a semana seguinte. Lei de 1966 estabelece que, diferentemente da maioria da população, cuja garantia de folga se resume à Sexta-Feira da Paixão, a Semana Santa dos juízes engloba a quarta e a quinta.

Como as sessões plenárias do Supremo ocorrem apenas às quartas e quintas, marcou-se o julgamento do caso Lula para a semana posterior, no dia 4 de abril.

Os ministros e demais juízes do país têm direito a 60 dias de férias ao ano. No caso do Supremo, elas acontecem em janeiro e julho. Para cada um desses períodos, os 11 ministros recebem duas vezes o adicional de um terço do salário (R$ 11.254, para um salário de R$ 33.763), totalizando R$ 22,5 mil ao ano.
Alexandre de Moraes, por exemplo, assumiu a cadeira de ministro do STF em março do ano passado.

Pouco mais de três meses depois, chegaram as férias de julho e ele recebeu o adicional de um terço relativo a elas, mais antecipação de metade do décimo-terceiro salário. Total de seu contracheque na ocasião: R$ 57,7 mil.

Além das férias, há o recesso de fim de ano, de 20 de dezembro a 6 de janeiro, norma prevista na mesma lei 5.010, de 1966, que organiza a Justiça Federal.
dias úteis

Os magistrados contam também com 18 feriados ao ano, seis a mais do que a população em geral —dois a mais na Semana Santa, um feriado forense em agosto, o dia do servidor (28 de outubro, fruto de decreto do Estado Novo), a véspera de Finados e 8 de dezembro, dia consagrado à Justiça.

Excluídas as interseções entre férias, feriados e recesso, chega-se aos 88 dias de descanso, o que resulta em 196 dias úteis ao longo do ano —contra 227 em outras áreas do serviço público e na iniciativa privada.
O argumento usado por integrantes de entidades representativas da magistratura é que a carga de trabalho dos juízes é imensa, normalmente extrapolando para horários fora do expediente e para dias de descanso. Além disso, afirmam, o peso da responsabilidade é superior ao da maioria das outras profissões.

“Os juízes não recebem hora extra por trabalharem além do horário previsto. É do conhecimento de todos que os juízes são obrigados a despachar processos fora do expediente, inclusive aos sábados e domingos. Nenhum plantão de juiz é remunerado, quando muito conseguem uma compensação sem nenhum acréscimo”, afirmou o presidente da Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil), Roberto Veloso.

A assessoria da presidente do STF, Cármen Lúcia, disse que ela não se manifestará sobre o calendário dos magistrados porque pode ter que julgar o tema caso ele seja levado ao CNJ (Conselho Nacional de Justiça), que ela também preside, ou ao próprio Supremo. Não houve manifestação também dos demais ministros.

No caso do STF, um deles fica de plantão nos períodos de férias e recesso.

COTA AÉREA

A maior parte dos 11 ministros passa os fins de semana fora de Brasília, em seus estados de origem, usando nesse deslocamento a cota aérea de R$ 51.889,70 a que cada um deles tem direto ao ano.

Ricardo Lewandowski e Luiz Fux, por exemplo, usaram praticamente todo o valor da cota em 2017 para viagens a São Paulo e Rio de Janeiro —respectivamente, estados onde têm residência.
Também com gastos de passagem para seus estados, Edson Fachin (Paraná) e Alexandre de Moraes (São Paulo) usaram valores expressivos da cota em 2017, cerca de R$ 40 mil.

Dos 11 ministros, apenas Cármen Lúcia, Marco Aurélio Mello e Celso de Mello não utilizam a cota aérea. Por comandar um poder, Cármen tem direito a uso de aeronave da Força Aérea Brasileira, mas segundo sua assessoria só a utiliza para compromissos de trabalho.

A assessoria do tribunal afirma ainda que o uso da cota é permitido para deslocamento de ministros a seus estados de origem ou qualquer outro lugar, sem necessidade de justificativa, já que eles podem despachar e tomar decisões a distância, a qualquer momento, registrando-as de forma eletrônica.

Os ministros têm ainda à sua disposição carro com motorista (Hyundai Azera), inclusive para compromissos particulares —por questões de segurança, afirma a assessoria— e imóveis funcionais em Brasília.
  

Boeing persegue baixo custo e aquisições

Empresa americana bate recorde de entrega e mira parcerias pelo mundo, como a Embraer

Estelita Hass Carazzai Publicada Em 01/04 - 02h00

A gigante da aviação Boeing, a empresa americana que quer comprar a Embraer, vem soltando as asas.

Num mercado de crescente competição, a companhia bateu recorde de entregas e desempenho financeiro no ano passado, enquanto pressiona seus fornecedores a diminuir preços, centraliza a produção e caça parcerias e joint ventures pelo mundo, como na negociação com os brasileiros.

É uma abordagem nova, que reforça a tática agressiva da Boeing, dona de uma das maiores fábricas do mundo —e que não quer perder a dianteira do mercado.

“Estamos fazendo o que achamos melhor para a empresa, para sermos mais competitivos”, disse à Folha Donna Hrinak, presidente da Boeing para a América Latina.

Produtora da bem-sucedida linha de jatos 737, 747 e 787, a Boeing viu a competição do setor aeronáutico aumentar, em especial com a pressão por redução de custos das companhias aéreas, ávidas por transportar cada vez mais gente por preços mais baixos, e com o anúncio recente de novos fabricantes na China, na Rússia e no Japão.

Atualmente, a americana disputa venda a venda com a europeia Airbus, que emparelhou o número de entregas com a concorrente na última década e teve até mais pedidos no ano passado.

Para fazer frente à concorrência, a Boeing alterou estratégias, a começar por acelerar e centralizar a produção.

Até 2020, a empresa pretende produzir por mês 60 aviões do tipo 737, um best-seller da companhia —o triplo do que fazia 20 anos atrás.

Em suas gigantescas fábricas nos arredores de Seattle, na costa oeste americana, se veem até seis jatos emparelhados, de uma só vez, na linha de produção. A empresa voltou a contratar no fim do ano passado, para dar conta da demanda.

A carteira de pedidos é considerável: 5.805 encomendas em espera, muitas das quais serão entregues em 2025.

Dentro da fábrica, a operação se tornou mais vertical. A Boeing assumiu a produção de componentes, serviços de manutenção e até a fabricação de assentos, por meio de uma joint venture anunciada no início do ano com a fábrica alemã da Adient.

“Isso é totalmente novo para a Boeing”, diz à Folha o consultor em aviação Mike Stewart, que trabalhou por 40 anos na empresa.

O objetivo, segundo ele, é controlar o calendário de entregas —uma preocupação que ganhou força depois da desastrosa produção do 787 Dreamliner, dez anos atrás.

Era um “avião global”, anunciava a empresa. As asas vinham do Japão. A fuselagem central, da Itália. Portas de passageiros, da França. Mas o cronograma atrasou, algumas partes deram problema e tiveram de ser refeitas, e a aeronave só parou de dar prejuízo muitos anos depois.

Agora, a Boeing quer ter mais controle sobre esses processos. “Nós estamos retrazendo capacidades para dentro de casa”, afirma Hrinak.

As parcerias ainda trazem a vantagem de novo capital intelectual, aponta o consultor Richard Aboulafia, especialista no setor aéreo e vice-presidente do grupo Teal.

TESOURA

A segunda estratégia da Boeing é mais recorrente: cortar custos. Só que, dessa vez, com uma ferrenha campanha entre fornecedores. “Eles estão mais agressivos do que nunca com sua cadeia de suprimentos”, diz Aboulafia.

Dois anos atrás, a empresa relançou o programa “Parceria para o sucesso”, que incentiva fornecedores a melhorar processos e baixar seus preços em até 15%. Quem não adere é deixado para trás —como a americana United Technologies, que se recusou a baixar os preços dos trens de pouso e acabou desistindo de disputar o contrato para a nova aeronave da Boeing, no ano passado.

“Nós iríamos perder dinheiro”, disse o executivo Gregory Hayes, na época.

Alguns fornecedores, insatisfeitos, chamam o programa de “Parceria para menos”, ou “Parceria para a pobreza”. Outros recorreram a fusões para conseguir escala e sobreviver com as novas margens de lucro, que foram reduzidas.

“O mundo está mudando. Mudança é difícil. Mas também é uma oportunidade para novos fornecedores”, afirma Hrinak. Quem venceu o contrato dos trens de pouso da nova aeronave, por exemplo, foi uma pequena manufatura canadense.

Os bons resultados da americana têm feito sucesso com pelo menos um grande consumidor: o presidente Donald Trump.

“Deus abençoe a Boeing”, disse ele, em discurso em fevereiro, em frente a um 787. O republicano afirma valorizar a engenharia e a manufatura americanas e tem usado a Boeing como exemplo. A companhia, porém, continua voltada para o mundo.

 

JORNAL O ESTADO DE SÃO PAULO


Risco às eleições faz uso do Exército triplicar no País

Desde 1992, foram 29 operações, com destaque para a região Norte e o Rio de Janeiro; especialistas dizem que neste ano ameaça vem de polarização política

Marcelo Godoy Publicado Em 31/03 - 19h00

O aumento das ameaças às eleições no País fez triplicar o uso de tropas federais para a garantia das votações e das apurações nos últimos 25 anos. Trata-se de fenômeno fortemente influenciado pela realidade da Região Norte e do Rio de Janeiro. Especialistas e integrantes dos órgãos de segurança veem nos extremismos causados pela polarização política uma nova ameaça que deve se juntar neste ano às que já eram enfrentadas pelas forças estaduais e federais nos períodos eleitorais.

De 2011 a 2017, as Forças Armadas fizeram 14 operações para garantir o processo eleitoral, três delas especificamente para o Rio, envolvendo homens do Exército e da Marinha – aumento de 40% em relação ao total de emprego de tropas federais na década anterior. Desde 1992, foram 29 ações no País, 14 delas abrangiam todo território nacional, segundo dados do Ministério da Defesa, do Comando de Operações Terrestres (Coter) do Exército e da Marinha. “A presença de tropas federais é importante por seu caráter dissuasório”, afirmou o procurador de Justiça Márcio Sérgio Christino.

Para ele, a novidade no cenário para as eleições de 2018 será a ameaça representada pelos extremismos. “Essa polarização é inédita em nossa história. E o ex-presidente Lula é um catalisador dessa polarização.” Na terça-feira, dois ônibus da caravana de Luiz Inácio Lula da Silva foram atingidos por disparos de arma de fogo em Laranjeiras do Sul, no Paraná, após o comboio petista ter sido alvo nos dias anteriores de ovos e pedras lançados por manifestantes. A polícia investiga a autoria do ataque.

Na Região Sul, onde episódios de violência acompanharam Lula, forças federais nunca foram até agora mobilizadas em operações específicas para a segurança de eleições. A Região Norte foi a que registrou o maior número de ações específicas das Forças Armadas (5), seguida pelo Sudeste (4) e Nordeste (3).

Apesar do cenário atual, por enquanto não há definição – exceto no Rio, sob intervenção na segurança – de envio de reforços específicos de forças federais aos Estados para as eleições. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) criou um conselho consultivo sobre internet e eleições do qual participam os Ministérios da Defesa e da Segurança Pública. O conselho está mapeando o impacto de notícias falsas no pleito deste ano. Para Christino, essas notícias podem funcionar como combustível para extremistas. “O desafio será definir o que é incitação à violência e o que é exercício da liberdade de expressão.”


Os militares e a segurança nas eleições

Uso de tropas federais para garantia das votações triplicou nos últimos 25 anos

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Em São Paulo, o Centro de Inteligência da Polícia Militar está monitorando as redes sociais para prevenir ações consideradas radicais e garantir a ordem. “Estamos traçando os cenários para evitar qualquer perturbação”, disse o coronel Nivaldo Restivo, comandante-geral da PM. Segundo ele, outras agências de segurança estão no mesmo caminho.

Na semana passada, o pré-candidato do PSOL à Presidência, Guilherme Boulos, encontrou-se com o comando da PM. Na pauta, a discussão sobre a segurança de protestos. Boulos imputou na semana passada a violência contra a caravana de Lula aos apoiadores do deputado Jair Bolsonaro (PSL-RJ), pré-candidato à Presidência. Este pôs em dúvida a veracidade do ataque.

“É preciso evitar que a desordem se estabeleça. Fazer isso agora é mais fácil e custa menos”, afirmou o coronel reformado José Vicente da Silva Filho, que foi secretário nacional de Segurança Pública durante o segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso (1999-2002). Para ele, é necessário que o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), da Presidência da República, coordene a atuação das forças de segurança estaduais.

Milícia. José Vicente concorda que, além das velhas ameaças representadas pelas inimizades políticas locais e organizações criminosas – como as milícias no Rio –, a polarização da política é o mais novo risco às eleições no País. Ele lembrou que, em 2012, a ameaça das milícias no Rio era muito menor do que hoje.

Uma ação do Exército em 2012 foi feita para impedir ações de criminosos no período pré-eleitoral – 13 partidos tinham ao todo 25 candidatos a vereador vinculados a milícias. “Agora temos 2,5 milhões de pessoas vivendo em áreas onde só quem a milícia quer pode fazer campanha”, disse. “A milícia é uma ameaça muito mais grave do que o tráfico”, completou Christino.

 

GSI prevê necessidade de reforçar proteção a Temer

Acirramento do debate político, evidenciado pelo ataque à caravana de Lula, eleva preocupação com segurança do presidente

Felipe Frazão E Carla Araújo Publciado Em 01/04 - 05h00

O Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República prevê que será necessário reforçar medidas de proteção ao presidente Michel Temer neste ano, principalmente, caso ele leve adiante o plano de disputar a reeleição. O acirramento do debate político, evidenciado pelos tiros disparados contra ônibus da caravana do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, elevou a preocupação com a segurança do emedebista.

Autoridades do governo avaliam que se instaurou no País, de maneira inédita, um clima de rivalidade e ódio político, como ficou patente nos confrontos entre militantes petistas e opositores ao longo do trajeto da caravana de Lula. Segundo uma fonte ouvida sob a condição de anonimato, o “humor” da campanha preocupa e não haveria como oferecer “garantia absoluta” de segurança a Temer.

O Planalto ainda não decidiu quais medidas práticas adotará, mas estuda formas de redobrar os cuidados com a exposição de Temer, sobretudo em eventos públicos – sem ferir a legislação eleitoral, para não caracterizar favorecimento ao presidente. Mesmo durante a campanha, cabe aos militares do GSI coordenar a segurança do presidente e familiares. Os demais candidatos, quando solicitam, dispõem de equipes de escolta da Polícia Federal, depois das convenções partidárias.

Ex-presidentes possuem oito servidores, por eles escolhidos, para segurança e apoio pessoal, além de dois veículos custeados pela Presidência. Todos são vinculados à Secretaria-Geral da Presidência, embora parte deles seja treinado pelo GSI.

Normalmente, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), subordinada ao GSI, faz monitoramento constante de possíveis manifestações que podem ocorrer próximo a compromissos públicos do presidente. É com base em mapeamentos como esse e análise de risco que se planeja o esquema de segurança e pode-se até aconselhar Temer a ir ou não a determinada agenda.

Até agora, os episódios que mais preocuparam o GSI foram relacionados à casa particular do presidente no Alto de Pinheiros, em São Paulo. Em uma ocasião, um homem tentou invadir o local, com familiares e a primeira-dama, Marcela Temer, dentro. Ele danificou o portão com um pedaço de madeira e tentou pular o muro, mas terminou preso.

 

JORNAL O GLOBO


Perdendo a guerra

Violência urbana aumentou no primeiro mês de intervenção militar. Além dos números, há sinais inequívocos, como o assassinato de Marielle e Anderson

Zuenir Ventura

Neste fim de Semana Santa, é triste e preocupante constatar que a violência ampliou seu campo de ação e chegou à política. Ao mesmo tempo em que o ministro Edson Fachin, do STF, revelava que ele e sua família estão sofrendo ameaças, dois ônibus da caravana do ex-presidente Lula no Paraná eram atingidos não mais por ovos e pedras, mas por balas dirigidas, não perdidas. É indispensável que o repúdio geral, inclusive dos opositores do líder petista, se transforme numa investigação que descubra os responsáveis. O alvo não foi atingido, mas a democracia sim.

Enquanto isso, no Rio a violência urbana aumentou no primeiro mês de intervenção militar. Além dos números, há sinais inequívocos. O maior deles foi emblemático: o assassinato, com características de execução, da vereadora Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes, um crime que permanece impune até a hora em que escrevo, torcendo para ser desmentido quando a coluna for publicada.

Só nos dez primeiros dias da chegada dos militares houve 47 mortes violentas e 250 tiroteios na Região Metropolitana do Rio. Do sábado passado até segunda-feira, nove pessoas foram mortas em confrontos na Rocinha. Em Botafogo, a tentativa de assalto levou pânico aos frequentadores de um shopping, com pessoas se jogando ao chão ou correndo sem saber para onde.

Diante desses e de outros exemplos, as Forças Armadas mudaram de estratégia e foram patrulhar as ruas para dar uma sensação de segurança à população. E deram — quando foram vistas. Houve muita reclamação quanto ao sistema de policiamento volante, que consistia em permanecer menos de uma hora em cada lugar. O resultado é que, quando iam embora, o medo e a desconfiança voltavam.

Na terça-feira, uma equipe do GLOBO percorreu 24 quilômetros de ruas da Zona Sul e só encontrou patrulha em uma esquina de Copacabana, onde estavam duas viaturas da Polícia do Exército com quatro soldados que saíram cinco minutos depois da chegada dos repórteres. Outra medida que desagrada é o horário de patrulhamento: ficam nas ruas das 8h às 17h.

A maior frustração da semana talvez tenha sido a inspeção de Bangu 3 no Complexo Penitenciário de Gericinó, onde funcionam os chamados “escritórios do crime”. Ali, os 220 homens do Exército e os 120 inspetores de segurança da Penitenciária só encontraram para apreender, acreditem, um celular e dezenas de ventiladores.

Estou entre os 76% dos cariocas que na pesquisa do Datafolha apoiam a intervenção militar e entre os 71% que acham que a atuação das Forças Armadas não surtiu efeito, pelo menos até agora.

Em suma, acredito que a população tem consciência de que o fracasso da intervenção seria (ou será) não apenas a perda de mais uma batalha contra a violência, mas da própria guerra.

 

O dia que inventou a noite


Miriam Leitão Publicada Em 31/03 - 06h00

Foi exatamente há 54 anos que começou a noite de 21 anos sobre o Brasil. Hoje, mais de meio século depois, o país que guarda mal sua memória é vulnerável aos falsificadores de passado e vai se espalhando a ideia de que foi um tempo sem corrupção, com segurança e com crescimento econômico. Não é verdade, na ditadura houve corrupção sem apuração e crise econômica.

É triste ter que recontar os ocorridos daqueles anos do regime militar como se fosse preciso ainda convencer de que houve o que houve. Tortura, morte, desaparecimentos políticos, exílio, censura, cassação de mandatos de parlamentares pelo crime de opinião, aposentadoria forçada de ministros do Supremo e catedráticos, proibição de que estudantes frequentassem a universidade, suspensão do direito de reunião e manifestação, anulação do habeas corpus e de outros direitos constitucionais, fim das eleições diretas para presidente, governadores e prefeitos das principais cidades. Era um tempo horrível.

Hoje há um esforço deliberado de se reescrever esse passado com mentiras para convencer os jovens de que aquele foi um tempo de paz interna, contestada apenas por alguns poucos “comunistas”. Há um grupo que inclusive escolheu como seu líder o torturador símbolo Brilhante Ustra, proclamado herói de certo candidato. Houve recentemente até um assessor do candidato que propôs que as versões do torturador e de seus torturados são equivalentes. Qual dos dois lados falou a verdade? Perguntou. Ora, ora. É preciso poupar-se de todos os fatos ocorridos para ter essa dúvida, inclusive a evidência de que 40 dos torturados morreram no Doi-Codi de São Paulo comandado por Ustra. Se morreram, não foi por bons tratos.

É triste ter que voltar mais de meio século e recontar a história como a história foi, para ter que lutar de novo contra a narrativa dos militares daquele tempo construída com censura à imprensa. Deveríamos estar inteiramente dedicados a pensar o futuro e a superar os muitos desafios do presente. Nossa democracia é imperfeita, passa por crises e isso cria o ambiente fértil para se edulcorar esse passado, desprezível em todos os aspectos.

Na democracia ideal muita coisa que nos acontece hoje não deveria estar ocorrendo. Não haveria tiros ou pressões contra a caravana de um candidato, como acaba de acontecer com Lula. As decisões da Justiça seriam entendidas como decisões da Justiça, e não como golpe. O foro privilegiado não deveria ser o escudo no qual bandidos se abrigam. Não se discutiria se um condenado em dupla instância deveria ou não cumprir pena. Não haveria cenas de pugilato verbal no Supremo. Principalmente não ocorreria o assassinato de uma jovem e promissora vereadora no mesmo centro do Rio, onde, na ditadura, foi morto o jovem Edson Luís há 50 anos.

Em qualquer democracia há divisões. É da natureza das democracias serem cheias de diversidade. O pensamento único só cabe numa ditadura em que as vozes discordantes são caladas pela violência política. Mas é doloroso ver que os debates naturais se transformaram em agressões grotescas entre grupos que têm projetos e versões diferentes. Mas será na democracia que corrigiremos seus erros e temos tido muitos progressos, como o de, pela primeira vez na história, o país estar enfrentando a corrupção com extrema coragem.

O dia 31 de março, há 54 anos, inventou uma noite que durou duas décadas. Nela não era possível divergir, combater os crimes de poderosos, protestar contra a crise econômica. No começo da década de 1980, nos últimos anos daquela noite, o Brasil estava quebrado, com dívida externa impagável, em recessão, desemprego alto, a inflação subia estimulada pela correção monetária criada nos governos militares. Foi a democracia que tirou o país desse buraco, desarmou a bomba inflacionária, renegociou e pagou a dívida. Precisou de 10 anos para superar esse difícil legado. Nos anos seguintes, a democracia se dedicou a resgatar brasileiros da pobreza extrema.

Os dias podem nascer nublados, chuvosos ou ensolarados. Mas é neles que o país construirá o futuro. Mesmo que pareça tão desconcertante e difícil o tempo atual. A noite, aquela noite, passou. E tem que ficar no passado.

(Com Alvaro Gribel, de São Paulo)

PORTAL UOL


Comandante do Exército: "Sociedade deve reagir à ideia de que criminoso é vítima de mesquinheza social"


Publciado Em 31/03 - 16h06

ImagemO comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, afirmou em sua conta no Twitter que sua equipe está estudando casos internacionais que tiveram sucesso no combate ao crime organizado. Nesse contexto, ele escreveu neste sábado (31) que "a sociedade deve ser estimulada a reagir à ideia de que "o criminoso é vítima da mesquinheza social"". Segundo ele, a vítima é a sociedade.

As afirmações de Villas Bôas ocorrem em um momento no qual o Rio de Janeiro passa por uma intervenção federal que conta com o apoio das Forças Armadas por meio de uma operação de GLO (Garantia da Lei e da Ordem) --decreto que dá aos militares poder de atuar na segurança pública.

Em fevereiro, logo após o anúncio da intervenção, o comandante convocou o Exército brasileiro a apoiar a medida. E, na ocasião, disse que a solução da crise na segurança pública fluminense exigiria "comprometimento, sinergia e sacrifício dos poderes constitucionais, das instituições e, eventualmente, da população."

O general não havia desenvolvido mais o raciocínio sobre o combate à ideia de que o criminoso seria vítima da "mesquinhez social" até às 15h30 deste sábado. Ele não fez referência a nenhuma situação nem pessoa ou instituição específica na publicação.

Alguns analistas e ativistas costumam atribuir a fatores sociais a cooptação de membros pelo crime organizado. Um dos argumentos principais é que o criminoso teria poucas oportunidades para seguir por outros caminhos.

Em duas publicações anteriores, Villas Bôas destacou outros fatores que ajudariam no combate ao crime organizado no Brasil.

Ele citou a "centralização da segurança pública e ações sociais para permitir o avanço coordenado nas comunidades".

A segurança pública é uma atribuição dos Estados, segundo a Constituição em vigor no país. Porém, em fevereiro o governo federal criou o Ministério da Segurança, que tem como uma de suas principais missões integrar o trabalho dos órgãos policiais de todo o país.

Durante a intervenção no Rio, em ao menos uma ocasião, os interventores combinaram ações armadas com mutirões de assistência social em uma favela da zona oeste. A ideia era ganhar a confiança da população e estimular denúncias sobre o paradeiro de criminosos procurados e esconderijos de armas.

No Twitter, Villas Bôas também defendeu o "reaparelhamento das estruturas de segurança, melhorias das condições de trabalho e valorização social do policial".

A afirmação ocorre no momento em que o interventor federal no Rio, o general Walter Braga Netto, tentar reestruturar e reequipar a polícia fluminense.

 

JORNAL O POVO (CE)


Fortaleza na rota dos voos internacionais

O HUB AÉREO da Air France-KLM/Gol será inaugurado em maio deste ano, no Aeroporto de Fortaleza, com voos para Paris e Amsterdã

Evilázio Bezerra / Isabel Filgueiras Publicada Em 31/03 - 01h30

A um mês do voo que inaugura o hub aéreo da Air France-KLM/Gol em Fortaleza, no dia 4 de maio, o mercado de aviação no Brasil decola em alta velocidade. Antes mesmo do início das operações da maioria dos 27 novos voos já confirmados em Fortaleza neste ano, a Embratur já registrou alta de 15% nas operações internacionais só no primeiro trimestre de 2018. Em março, foram 247 rotas rumo a Europa, por semana, crescimento de 12% ante igual período de 2017.

Os destinos para o exterior estão entre os mais procurados pelos brasileiros. E as companhias aéreas têm buscado atender à demanda. De acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o tráfego internacional subiu 12% em 2017 em relação a 2016, ano de Olimpíadas no Rio de Janeiro.

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O aumento é quatro vezes maior que o de rotas domésticas. Um dos destinos da moda é Portugal, cujo número de voos semanais pulou de 67 em março de 2017 para 80 em março deste ano. A Air France-KLM vai aumentar o total de 35 para 44 operações. A Ibéria aumentou em dois voos semanais a frequência para a Espanha. Já entre Rio e São Paulo, a saída de voos para Itália subiu de 11 para 18 semanais.
 
Além do aumento de voos, as empresas também investem em aeronaves maiores, com mais assentos e até mais modernas, como é o caso da GOL. A companhia irá utilizar o novo Boeing 737 MAX 8 nas novas rotas de Fortaleza para Miami e Orlando. Os clientes terão internet, bancos de couro, entretenimento, assim como mais espaço entre as poltronas e serviço de bordo gratuito, com bebidas e refeições.
 
Conforme o Ministério do Turismo, a quantidade de estrangeiros recebidos no País em 2017 supera os anos da Copa e das Olimpíadas. O número de turistas internacionais foi recorde: 6,58 milhões de pessoas. O aumento de 42 mil visitantes em relação a 2016 é puxado pelos países vizinhos, sobretudo Argentina.

As principais portas de entrada de turistas, no entanto, continuam no eixo Sul-Sudeste, sendo São Paulo o maior porto de desembarque (32,5%), seguido do Rio de Janeiro (20,5%).

Para o especialista em Economia do Transporte Aéreo, Adalberto Febeliano, o setor de transporte é um dos primeiros a voltar a crescer quando a economia melhora. Explica que o momento é de expansão, mesmo o real continuando bem abaixo do dólar e do euro.

“O momento econômico está favorável, já existe um movimento de crescimento da economia. Isso é suficiente para uma retomada do transporte. O transporte é um dos setores que mais rapidamente se aquece e acelera”, analisa.

Febeliano destaca, ainda, que o hub da Air France-KLM/Gol deverá fazer com que a companhia portuguesa TAP, primeira a operar um voo internacional em Fortaleza há 20 anos, reveja as tarifas, que hoje são as mais caras entre as rotas internacionais que partem da Capital. “A concorrência é fundamental para que se tenha vantagem para os consumidores, levando a preços mais baixos, inclusive nos voos domésticos”, explica.

 

PORTAL R3 (SP)


Navio brasileiro de apoio oceanográfico “Ary Rongel” regressa da Antártida


Publicado Em 31/03

Na sexta-feira (30), o Navio de Apoio Oceanográfico (NapOC) Ary Rongel atracou no porto de Rio Grange-RS, onde permanecerá até o dia 01 de abril.

Após quase seis meses em missão no Continente Antártico, o NApOc “Ary Rongel”, sob o Comando do Capitão de Mar e Guerra Antonio Braz de Souza, retornará e atracará na Base Naval do Rio de Janeiro, localizada na Ilha de Mocanguê – Niterói – RJ, no dia 05 de abril, concluindo sua participação na Trigésima Sexta Operação Antártica (OPERANTAR XXXVI), em assistência ao Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR).

Assim, tendo saído do Rio de Janeiro em 13 de outubro de 2017 rumo à Antártica, o Navio de Apoio Oceanográfico “Ary Rongel” opera nesse continente com as principais tarefas de dar apoio logístico e reabastecimento dos Módulos Antárticos Emergenciais (MAE) da EACF, bem como apoiar projetos de ciência e tecnologia nas mais diversas áreas, como Oceanografia, Hidrografia, Biologia, Geologia, Antropologia e Meteorologia. As atividades científicas envolveram profissionais de diversas instituições de ensino e pesquisa no País, que desenvolvem trabalhos utilizando os nossos “Navios Antárticos” como plataforma de coleta de dados ou de apoio para o estabelecimento de diversos acampamentos na região polar austral.

O “Gigante Vermelho”, que realizou sua vigésima quarta viagem ao continente gelado, apoiou a EACF e os projetos científicos com o transporte de pessoal, gêneros, combustível, maquinário e material de pesquisa. Para tanto, foram empregados os seus botes orgânicos e ainda teve à disposição um Destacamento Aéreo Embarcado (DAE), com dois helicópteros do tipo Esquilo. No apoio aos projetos científicos, teve importante participação nos projetos Alexander Kellner, que estuda a prospecção de fosseis do cretáceo da sub-bacia James Ross e evolução da fauna de vertebrados visando a reconstituição paleoambiental e biogeográfica da Península Antártica (PALEOANTAR II); Eduardo Secchi, que estuda as interações biológicas em ecossistemas marinhos próximos a Península Antártica sob diferentes impactos de câmbios climáticos (INTERBIOTA); Paulo Câmara, que estuda as populações de musgos e líquens selecionados, especies-alvo, a fim de melhor entender o valor evolutivo e utilidade taxonômica das variações morfológicas encontradas entre as populações antárticas com distribuição bipolar; Schaefer, que estuda o aprofundamento e consolidação da Rede TERRANTAR de monitoramento de mudanças ambientais e climáticas na paisagem e permafrost da Antártica; Ulisses Bremer, que estuda o balanço da energia superficial e seu controle no permafrost e camada ativa da Península Fildes e Antártica Marítima (INCT CRIOSFERA); e Zarankin, que estuda as características das primeiras ocupações na Antártica vinculadas a exploração de mamíferos marinhos nas Ilhas Shetland do Sul.

O Navio também participou dos diversos voos de apoio recebendo militares, servidores civis e pesquisadores, cujos esforços de várias esferas do Poder Público e cooperação internacional interagiram em perfeita sintonia para o transporte, permanência e salvaguarda de pesquisadores e do seu material na Antártica. Neste contexto, aeronaves Hércules C-130 da Força Aérea Brasileira fizeram voos de apoio regulares que partiram do Brasil com destino à Base Aérea Chilena Presidente Eduardo Frei, próxima à EACF. Já em solo Antártico, os pesquisadores, visitantes, jornalistas e autoridades convidadas, civis e militares, brasileiras e estrangeiras, foram apoiadas pelo Navio.

 

OUTRAS MÍDIAS


PORTAL MÍDIA MAX (MS) - Golpe ou Revolução? No Centro, 15 pessoas defendem intervenção militar

Manifestantes também comemoravam 54 anos da ditadura

Matheus Aranda Publciado Em 31/03 - 16h57

Cerca de 15 pessoas foram às ruas pedir intervenção militar e o fim da corrupção na manhã deste sábado (31), no Centro de Campo Grande. Manifestantes se aglomeraram no cruzamento da avenida Afonso Pena com a 14 de julho e com cartazes estampando os dizeres: “Chega de corrupção, intervenção militar já”, pediram a volta dos militares à administração pública.

A manifestação acontece neste sábado, 54 anos após o golpe militar, quando forças armadas derrubarem o governo constitucional no Brasil em 31 de março de 1964 e iniciar o mais longo período de ditadura no país, termo considerado pejorativo pelos simpatizantes do movimento.

“Não concordo com o termo ditadura. O primeiro passo para se implantar um regime ditatorial é desarmar a população, coisa que os generais não fizeram. O regime militar foi implantado para impedir que o nosso país virasse comunista, os anos em que os militares estiveram no poder só foi difícil para terroristas e não para o cidadão de bem”, declarou Duacir Bérgamo, de 65 anos e aposentado.

Os manifestantes estamparam vários cartazes em apoio aos militares, na chamada "Revolução Democrática" com apoio de algumas pessoas que passavam, parando os carros, buzinando ou entre quem fazia compras pelo Centro nesta manhã, reafirmando que "a única solução para o estado em que se encontra nosso país seria uma intervenção militar".

Alguns cidadãos contrários a manifestação passavam por perto e começavam a dizer que os manifestantes deveriam voltar a estudar, "pois quem vivou a época da ditadura sabe o quão prejudicial foi ao país".

“Sou totalmente contra qualquer tipo de manifestação em apoio aos militares, eles são os piores e o Rio de Janeiro é exemplo disso, para matar um bandido, três inocentes são mortos. Esses manifestantes precisam estudar, é só procurar se informar, ler jornal e assistir televisão, a ditadura nunca foi solução para os problemas do Brasil”, acrescentou Gabriel Marques, de 35 anos e vendedor ambulante.

 

RTP NOTÍCIAS (PORTUGAL) - Exército brasileiro explica ação humanitária para acudir a venezuelanos na fronteira

O Exército brasileiro espera ter nas próximas semanas infraestruturas de apoio permanentes para os imigrantes venezuelanos que fogem para o norte do Brasil, criando uma crise humanitária que preocupa cada vez mais o país e a comunidade internacional.

Lusa Publicada 01/04/2018 - 05h30

"A Operação Acolhida, que trata da entrada de imigrantes do país vizinho, é coordenada pelo Ministério da Casa Civil e engloba diversos ministérios", explicou, em entrevista à Lusa, o coronel Carlos Eduardo Mercês, representante do Ministério da Defesa no apoio às operações de fronteira. 

"Aqui [em Pacaraima, a cidade brasileira mais próxima da fronteira da com a Venezuela], temos três grandes vertentes da operação. O reforço do controlo da fronteira. A acolhida dos imigrantes que se declaram refugiados e a interiorização destes refugiados", disse Carlos Eduardo Mercês.

Os trabalhos de preparação já começaram nas áreas onde serão instaladas estruturas para controlo e acolhimento das centenas de venezuelanos que diariamente cruzam a fronteira do Brasil, fugindo da fome e dos problemas em seu país.

A operação conta com o apoio estatal de 190 milhões de reais (47 milhões de euros) para ajuda humanitária aos venezuelanos que entram no país.

Segundo o coronel, a estrutura criada para atender o fluxo de entrada em Pacaraima e na capital do estado de Roraima, a cidade de Boa Vista, - onde já estão cerca de 40 mil venezuelanos -, começou a ser montada em meados de março.

Em Boa Vista foi aberto um novo centro de acolhimento que vai retirar os imigrantes dos alojamentos precários montados na praça Simón Bolivar, procurando encaminha para um novo abrigo cerca de 200 famílias.

"O planeamento esta acontecendo há algum tempo, o recurso foi descentralizado. Hoje realizarmos algumas ações e viemos aqui expor aos moradores como irá acontecer a operação", disse.

A presença do coronel em Pacaraima foi uma resposta aos protestos dos moradores da cidade, que criticam as ações de ajuda aos venezuelanos.

Questionado sobre as reclamações dos brasileiros, Carlos Eduardo Mercês mostrou-se otimista e disse que as más impressões da população serão superadas.

"Conseguimos mudar esta perceção negativa com relação a Operação Acolhida. Quando começar a acontecer acho que as pessoas vão começar a acreditar", disse.

"Tem muita descrença", mas "quando as nossas estruturas começarem a chegar vai melhorar esta perceção e a vida de todo mundo", avaliou.

Sobre o aumento da violência em Pacaraima e no estado de Roraima, denunciado pelos moradores, o militar admitiu que há um aumento da sensação de insegurança, mas não há um registo de um aumento de crimes.

"Em segurança podemos trabalhar com a perceção e com os dados reais. Quando você vai trabalhar com números [notamos que] não há um incremento de notificações dos casos de violência. Porém, a percepção da população, claramente, é de que aumentou a violência. Ainda temos que trabalhar estas duas vertentes", concluiu.