TECNOLOGIA

DECEA aprimora tráfego de helicópteros no espaço aéreo sobre a Bacia de Campos, no RJ

Somente helicópteros equipados com a tecnologia ADS-B serão autorizados a partir de 8 de novembro
Publicado: 19/10/2018 16:25
Imprimir
Fonte: DECEA, por Daniel Marinho
Edição: Agência Força Aérea, por Tenente João Elias - Revisão: Capitão Landenberger

A partir do próximo dia 8 de novembro, somente helicópteros apropriadamente equipados com a tecnologia ADS-B serão autorizados a ingressar no espaço aéreo sobre a Bacia de Campos. A implementação do ADS-B Automatic Dependent Surveillance – Broadcast (em português, Vigilância Aérea Dependente Automática por Radiodifusão) é fruto de um empreendimento do Programa SIRIUS do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA). A iniciativa tem por intuito viabilizar uma série de benefícios operacionais, entre eles a visualização de todos os voos de helicópteros da região na tela dos controladores.

"O recurso propicia melhorias determinantes para a vigilância aérea e fornece mais informações sobre os voos do que o radar. De menor custo de aquisição e manutenção, é especialmente eficaz em áreas onde a cobertura radar é limitada ou inexistente", ressaltou o assessor de gerenciamento de tráfego aéreo do empreendimento, Capitão Especialista em Controle de Tráfego Aéreo Sergio Kebach Martins.

O contínuo crescimento da aviação offshore terminou por exigir uma utilização mais otimizada do espaço aéreo do local. Responsável por mais de 80% da extração de petróleo no País, a Bacia de Campos abrange 115 mil quilômetros quadrados de área, onde dezenas de plataformas marítimas extraem cerca de 1,5 milhão de barris de óleo e 22 milhões de metros cúbicos de gás por dia. A magnitude desta produção exige naturalmente uma operação logística de grandes proporções, o que se reflete no transporte aéreo de pessoal e mercadorias entre o continente e as plataformas: cerca de 120 voos diários. Esse tráfego intenso é exclusivamente composto por aeronaves de asas rotativas. Helicópteros voam grandes distâncias entre a costa fluminense e as plataformas.

ADS-B é eficaz para voos de baixa altitude

São ao todo seis estações receptoras de sinais ADS-B. Quatro no mar, instaladas sobre plataformas marítimas, e duas em terra firme. Elas estão integradas ao SAGITARIO (Sistema Avançado de Gerenciamento de Informações de Tráfego Aéreo e Relatório de Interesse Operacional).

A partir dessa interface, os controladores conseguem monitorar uma série de informações dos voos: identificação, altitude, velocidade, direção, localização. Tudo em tempo real.

O alcance da frequência de comunicação do Controle de Aproximação Macaé (APP-ME) também será estendido. Com a absorção das áreas até então utilizadas por rádios de comunicação descentralizadas, o Serviço de Informação de Voo (FIS – Flight Information Service) do APP agora se estenderá aos setores de Albacora, Marlim e Enchova. Abrangerão todos os oito setores da Área de Controle Terminal de Macaé (TMA-ME).

Além da extensão do alcance da vigilância aérea (Radar e ADS-B) e do Serviço de Informação de Voo (comunicações VHF), a reestruturação da TMA-ME também propiciará, por conseguinte, um série de benefícios. Entre eles, o aumento da consciência situacional dos pilotos, da regularidade das operações aéreas e da acessibilidade às plataformas. Sem mencionar o aprimoramento das informações meteorológicas com a disponibilização de oito novas Estações Meteorológicas de Superfície Automática (EMS-A).

Aviso aos Navegantes ADS-B

Para divulgar as novas regras aos usuários e pilotos de helicópteros que operam na região, o DECEA vem promovendo uma série de eventos e desenvolvendo conteúdos informativos. Recentemente, nos dias 8 e 9 de outubro, a organização promoveu em conjunto com a Infraero o “Workshop – Reestruturação dos Serviços de Navegação Aérea na Bacia de Campos” no município de Macaé. Na ocasião, o gerente do empreendimento SIRIUS, Major Especialista em Controle de Tráfego Aéreo Robson Carlos Pereira da Silva, orientou os profissionais da indústria offshore de Macaé quanto à reestruturação do espaço aéreo da Bacia de Campos, ao aprimoramento dos serviços prestados e, sobretudo, aos procedimentos exigidos a partir do início da entrada em vigor das novas regras.

O Capitão Kebach, por sua vez, realizou uma palestra para explicar em detalhes todos os itens da Circular de Informações Aeronáuticas Nº 47 de 2018 (AIC 47/18). A AIC é o documento oficial do DECEA que disciplina toda a reestruturação da TMA-ME.

ADS-B na Bacia de Campos

A Circular entra em vigor às 4h (hora local) do dia 8 de novembro, complementando a AIC 40/17 que dispõe sobre a ampliação da cobertura VHF e o provimento dos novos serviços de meteorologia. Nela estão relacionadas orientações importantes aos pilotos, tais como a nova setorização da Terminal, as regras do espaço aéreo exclusivo ADS-B, as novas frequências de comunicação e a fraseologia adequada para uso do recurso.

Assista aqui ao vídeo com as respostas às perguntas mais frequentes sobre a reestruturação da Área de Controle Terminal de Macaé.