RISCO BALOEIRO

O perigo é real: balões levam riscos à aviação

Encontro traz riscos a todos os envolvidos: passageiros, tripulação e pessoas em solo
Publicado: 06/06/2018 14:40
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Fonte: Agência Força Aérea, por Tenente Felipe Bueno
Edição: Agência Força Aérea, por Tenente Emília Maria - Revisão: Capitão Oliveira

Sexta-feira, 17 de junho de 2011, próximo ao meio-dia. Após decolar do Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro (RJ), um Airbus A319, de aviação comercial, tem seu percurso normal interrompido. De acordo com o relato do piloto, a aeronave se chocou contra um banner preso a um balão. Vários instrumentos de voo foram degradados e desconectados, pois o plástico do banner se fundiu e avariou os tubos de pitot. A rota do voo precisou ser desviada para o Aeroporto de Confins (MG), onde tripulação e passageiros desembarcaram após o susto. Esta não foi a única ocasião em que rotas de aviões e balões de ar quente se cruzaram - os avistamentos são frequentes e trazem perigo aos profissionais e usuários da aviação.

Até hoje, já foram 25 colisões, a maioria delas envolvendo aviões comerciais. Fora os encontros diretos, já foram reportados ao Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) mais de 2,5 mil casos de avistamento de balões próximos a aeródromos e rotas de aeronaves no Brasil. “Só temos registrado esse incidente de 2011 considerado grave, o que não espelha a realidade que os pilotos encontram nos céus, principalmente dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná, que têm o maior número de reportes”, conta o Coronel Aviador Antonio Heleno da Silva Filho, do CENIPA. “Se contabilizarmos a quantidade de avistamentos, manobras que são feitas para desviar de colisões, haver apenas um caso grave não ilustra o cenário real”, acrescenta.

Tal presença de balões, por vezes, obriga a realização de manobras que podem ser feitas em etapas delicadas do voo, como no pouso e na decolagem. A arremetida é um processo seguro, mas se uma manobra evasiva tiver de ser feita em uma altura muito baixa, pode se tornar perigosa. Além dos demais prejuízos que isso acarreta: atraso de voo, gasto de combustível desnecessário, complicações no tráfego aéreo, entre outros. “Na melhor das hipóteses, o voo vai atrasar, o tráfego vai ter de ser reorganizado e vai ter prejuízo para os passageiros e profissionais envolvidos”, diz o Coronel Heleno.

Campanha nas mídias

A prática ilegal está ligada às festividades juninas na cultura de diversas regiões do Brasil. Contudo, o perigo não se restringe mais ao período próximo das datas comemorativas. Numericamente, os estados que mais apresentam casos de balões próximos a rotas aeroviárias são São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. Para reduzir os riscos na aviação militar e civil, a FAB realiza campanhas de conscientização no período de maior número de avistamentos. Em 2017, o Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (CECOMSAER) desenvolveu produtos nas diversas plataformas midiáticas. O vídeo da campanha, inspirado na literatura de cordel nordestina, foi veiculado em várias emissoras no horário nobre televisivo, inclusive pautando matérias no Jornal Nacional, da TV Globo. Em 2018, a unidade alertará novamente a população sobre o risco.

Diversão responsável

Existem regras para a soltura com segurança do balão livre não tripulado - nome formal do balão junino. O Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) segue as normas da Organização Internacional da Aviação Civil (ICAO). Basicamente, são três regras principais a serem seguidas: a soltura deve ser informada e coordenada com o DECEA; o artefato precisa de um mecanismo de interrupção de voo, caso saia do espaço aéreo reservado; e é necessário carregar consigo um mecanismo de rastreamento. Além disso, qualquer presença de fogo no balão é totalmente proibida, de acordo com a lei ambiental. Já existem eventos criados para a preservação da tradição de maneira responsável, como os da associação Somos Arte Papel e Cola (SAPEC), realizados no Paraná.

Assista ao vídeo da campanha sobre Risco Baloeiro:

Veja esta e outras matérias no jornal NOTAER de junho: