ORDEM DO DIA

Dia da Aviação de Reconhecimento

Dia da Aviação de Reconhecimento
Publicado: 24/06/2017 00:00
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Fonte: COMPREP

Desde os antigos conflitos bélicos, o conhecimento sobre o inimigo sempre foi um fator-chave para o êxito das campanhas militares. Contudo, os comandantes de outrora dispunham de poucos recursos para obter tais informações, sem expor seus soldados ao perigo.

À medida que ciência e a tecnologia evoluíram, novas ferramentas surgiram e passaram a ser empregadas com sucesso, no intuito de coletar dados sobre exércitos adversários nos campos de batalha.

Na Guerra do Paraguai, por iniciativa do Duque de Caxias, balões cativos com observadores embarcados foram utilizados para divisar as linhas inimigas, antecipando as ações táticas das tropas da Tríplice Aliança. Os exitosos resultados dessa empreitada levaram o Exército a criar, após a Guerra, o Serviço de Aeroestação Militar, que permaneceu em atividade por mais de quarenta e sete anos.

De modo semelhante, durante a Campanha do Constestado, sob o comando do General Setembrino, pela primeira vez na História do Brasil, aviões militares foram usados para acompanhar os movimentos dos rebeldes que integravam o “Exército Encantado de São Sebastião”.

Tal conceito - o emprego de aeronaves para observar as posições e as manobras das forças oponentes – foi ampliado durante a Guerra Ítalo-Turca, a Guerra dos Balcãs e a Primeira Guerra Mundial, sendo aperfeiçoado por ocasião da Segunda Grande Guerra, com a utilização de câmeras fotográficas aeroembarcadas de alta qualidade. Essa atividade tornou-se tão importante para a Inteligência Militar, que motivou a criação de unidades aéreas especializadas na coleta e interpretação de foto-reconhecimento.

O período da “Guerra Fria”, em particular, marcou, de forma emblemática, o desenvolvimento de aeronaves especializadas em reconhecimento estratégico, que voavam a altitudes extremas e em altíssimas velocidades, sendo pilotadas por tripulantes rigorosamente escolhidos e cuidadosamente treinados.

Na Força Aérea Brasileira, a Aviação de Reconhecimento surgiu em 1947, com a criação do 1º/10º Grupo de Aviação - o Esquadrão Poker - que inicialmente operou as aeronaves Douglas A-20 Havok, dos extintos Primeiro e Segundo Grupos de Bombardeio Leve, a partir da Base Aérea de São Paulo.

Aquela atividade embrionária, do período pós-guerra, cresceu e rendeu frutos nos anos vindouros. Notadamente na última década, a FAB testemunhou um vertiginoso desenvolvimento da Aviação de Reconhecimento, já que foram incorporados novos vetores, como RA-1M, o R-35AM, o R-99 e as aeronaves remotamente pilotadas RQ-450 e RQ-900. Ademais, o Reconhecimento Aéreo, que antes estava limitado à coleta de imagens fotográficas, expandiu-se para empregar sensores eletro-ópticos e infravermelhos de alta resolução, radares de abertura sintética, além de sofisticados equipamentos capazes de captar uma ampla faixa de sinais do espectro eletromagnético.

Olhando para os cenários vindouros, faz-se mister repensar os processos, as táticas, as técnicas e os procedimentos ora em vigor, de modo a transformar a Força Aérea Brasileira em uma Instituição com grande capacidade dissuasória, operacionalmente moderna e capaz de atuar de forma integrada para a defesa dos interesses nacionais.

Doravante, os Esquadrões de Reconhecimento Aéreo não se restringirão à produção de dados para a Inteligência de Defesa. Cada vez mais, essas unidades serão empregados na vigilância das fronteiras terrestres, das águas territoriais brasileiras e das áreas urbanas de interesse, cooperando com órgãos de Segurança Pública na repressão ao tráfico de drogas, armas e munições, no combate aos delitos transnacionais e nas operações de garantia da lei e da ordem.

Outrossim, esses Esquadrões têm potencial para contribuir com o desenvolvimento e a integração nacionais, pois estarão a capacitados a realizar desde aerolevantamentos em regiões urbanas até o monitoramento ambiental de grandes áreas, como a região amazônica, apresentando informações úteis para apoiar as ações governamentais.

Em um futuro próximo, a Força Aérea empregará satélites não apenas para gerir as comunicações militares, mas também para controlar aeronaves remotamente e para sensoriar alvos e áreas de interesse militar a milhares de quilômetros de distância, o que representará, certamente, um novo conceito para a Ação de Reconhecimento Aéreo.

Considerando essas possibilidades de emprego, faz-se mister adotar processos de preparo operacional baseados no desenvolvimento de conhecimentos, habilidades e atitudes necessárias aos pilotos, foto intérpretes, técnicos em informações de reconhecimento e operadores de sistemas, principais atores responsáveis pelo cumprimento da missão.

Senhoras e senhores, o cumprimento da missão da Aeronáutica - “Manter a soberania do espaço aéreo e integrar o território nacional com vistas à defesa da Pátria” - depende, fundamentalmente da nossa capacidade de garantir Superioridade de Informações nos ambientes aéreo, espacial e cibernético. Para tanto, devemos aperfeiçoar e integrar os processos de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento, de modo a proporcionar conhecimentos oportunos e precisos que venham a subsidiar as decisões dos comandantes militares.

Homens e mulheres dos Esquadrões Poker, Carcará, Guardião e Hórus, o desafio que se apresenta é árduo, porém motivador. Pautem suas condutas no patriotismo, na disciplina, na integridade, no comprometimento e no profissionalismo, porquanto vocês são “Da Pátria, os olhos, na guerra e na paz”.

Parabéns integrantes da Aviação de Reconhecimento! Parabéns Força Aérea Brasileira!

Brasília, 24 de junho de 2017,
Ten Brig do Ar ANTÔNIO CARLOS EGITO DO AMARAL
Comandante do COMPREP