INVERNO

Saiba como é o trabalho dos militares em uma área do Brasil com temperaturas abaixo de 0°

Com o inverno, militares do Destacamento de Controle do Espaço Aéreo de Morro da Igreja superam os desafios para manter o funcionamento dos equipamentos
Publicado: 21/06/2017 13:37
Imprimir
Fonte: DECEA, por Denise Fontes
Edição: Agência Força Aérea, por Tenente João Elias

Enquanto no inverno várias cidades do sul do País registram temperaturas mínimas em torno de zero grau, no Morro da Igreja, em Urubici, na serra catarinense, os termômetros marcam abaixo de zero e as rajadas de vento atingem 160 Km/h. Nesse território, encontra-se o Destacamento de Controle do Espaço Aéreo de Morro da Igreja (DTCEA-MDI), organização subordinada ao Segundo Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (CINDACTA II).

Localizado a 160 Km de Florianópolis, o Morro da Igreja é considerado um local turístico para quem deseja tirar uma foto em um lugar tão frio em pleno Brasil. Mas a rotina dos militares é árdua. Diariamente, eles percorrem cerca de 30 Km de estrada para chegar até o Destacamento.

Nesta época do ano, é necessário ainda utilizar roupas especiais sobre a farda. “Nós usamos o abrigo polar que resiste até uma temperatura de -25°C e botas canadenses para suportar o frio extremo”, explica o Suboficial Joelson Oliveira Rocha Melo, encarregado da Seção Técnica.

Cerca de 40 militares têm a missão de prover os meios necessários para o controle, a segurança e a defesa do espaço aéreo na região sul do Brasil. “Nossa posição no estado de Santa Catarina é bem estratégica e cobre o eixo entre Porto Alegre e Curitiba. O nosso trabalho é anônimo, mas contribui para que as aeronaves voem com segurança”, afirma o comandante do DTCEA-MDI, Capitão Tarcísio Cruz Júnior.

A unidade conta com radares de vigilância e de meteorologia e sistemas de telecomunicações, que permitem a comunicação entre pilotos e controladores de tráfego aéreo.

A equipe técnica trabalha em sistema de plantão 24 horas para garantir o funcionamento desses equipamentos. As condições climáticas severas e adversas tornam o trabalho desses militares um grande desafio. O clima hostil exige todo tipo de adaptação, como o uso de redoma de proteção para os equipamentos, conhecido como radome. “As antenas são protegidas devido o congelamento, a velocidade dos ventos, além de proteger do frio os militares que precisam realizar a manutenção dos radares”, afirma o Capitão Tarcísio.

A complexidade da estrutura se justifica pela importância estratégica da região: além de ser rota do tráfego aéreo de voos internacionais da América do Sul, no trecho entre as cidades de Buenos Aires, na Argentina, e São Paulo, no Brasil, atende a um grande fluxo de aeronaves menores, como táxis aéreos.

São unidades como essa do Morro da Igreja, com desafios logísticos e operacionais complexos, que enviam informações para o CINDACTA II.

De acordo com o comandante do CINDACTA II, Coronel Aviador Álvaro Wolnei Guimarães, o Destacamento é responsável por manter equipamentos imprescindíveis ao tráfego aéreo na região. “O radar contribui para que 30% de todo movimento e o fluxo de aeronaves civis do Brasil prossigam seus voos com as separações seguras e eficientes e abrange a fronteira do país, provendo controle para que as aeronaves de defesa aérea impeçam o tráfego de aeronaves não autorizadas e não identificadas”, conclui.

Fotos: Fábio Maciel

 Confira o vídeo: