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FAB realiza nove transportes de órgãos para transplante neste mês

Somente entre a noite desta terça (21) e a madrugada desta quarta (22) ocorreram dois acionamentos
Publicado: 22/06/2016 16:30
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Fonte: Agência Força Aérea, Tenente Jussara Peccini

  Uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) realizou na manhã desta quarta-feira (22/06) o transporte de um coração de Navegantes (SC) para Curitiba (PR). A receptora, uma senhora de 62 anos, entrou na lista de espera da Central Nacional de Transplantes (CNT) há cinco dias. A situação era de urgência. A paciente estava internada na UTI por causa de choque cardiogênico (insuficiência de irrigação sanguínea). O problema do coração havia afetado também os rins.

“A cirurgia foi um sucesso. Agora a paciente vai ter pressão arterial mais alta e não terá que tomar tantos remédios”, afirmou o cirurgião Claudinei Colasso, após efetuar o transplante. O médico foi responsável por captar o órgão de um rapaz de 23 anos morto em um acidente de moto. O transporte aéreo ocorreu no avião C-97 Brasília operado pelo Esquadrão Pégaso (5º ETA) acionado ainda na madrugada.

Na noite de ontem (21/06), outra aeronave C-97 Brasília, operada pelo Esquadrão Pastor (2º ETA), transportou um coração de Petrolina (PE) para a capital Recife.

Com estas duas missões, a FAB contabiliza nove voos de transporte de órgãos para transplante executados no mês de junho. Nesse período, foi acionada pela CNT 13 vezes. Desse total, quatro foram canceladas pelo próprio solicitante. A Central é responsável por fazer a intermediação de transplantes interestaduais, ou seja, doador e receptor estão localizados em Estados distintos. Nos demais casos, a coordenação é executada pelas centrais estaduais.

De acordo com Fernanda Bordalo, coordenadora da CNT, o transporte aéreo é muito importante para o aproveitamento do órgão em função do tempo de isquemia. No caso do coração, são apenas quatro horas após a retirada do paciente. “É um ganho inestimável para nós”, afirma a coordenadora sobre o apoio logístico aéreo prestado pela FAB. “Tem o órgão e precisa conseguir alocar em algum estado. Nesse tempo é impossível conseguir pela aviação comercial”, exemplifica.

Complexidade – Cada possibilidade de transplante é uma corrida contra o tempo. A logística é complexa tanto do ponto de vista de saúde quanto do transporte aéreo.

Cada vez que uma aeronave sai do chão, pelos menos 15 militares são envolvidos no processo de planejamento e coordenação. Independentemente de ter ocorrido ou não o transplante ou o voo, a FAB dedica equipe e tempo trabalhando nas etapas que antecedem, acompanhando a missão e também após o voo.

Para se ter uma ideia de como o processo funciona, no caso do transporte efetuado ontem em Pernambuco a primeira ligação da CNT solicitando apoio aéreo da FAB ocorreu às 21h30. O avião partiu de Recife às 23h10 para captar órgão em Petrolina, de onde decolou às 2h50 de hoje e pousou na capital às 4h15 da madrugada com o coração a bordo. É preciso coordenar qual o aeroporto mais próximo, se está liberado para pouso, qual a aeronave mais adequada, acionar a tripulação da unidade aérea mais próxima – que está de sobreaviso. Depois disso, os pilotos fazem o plano e toda a checagem antes do voo.

Mas os desafios vão além da questão logística de transporte. De acordo com dados da CNT, nos últimos quatro anos, em 887 dos casos sequer o órgão chegou a ser retirado do doador. “Quando nós falamos em recusa, os motivos são diversos. Por exemplo, o doador teve uma parada cardíaca, a família desistiu da doação, a equipe transplantadora não estava disponível ou a equipe de retirada de órgãos não estava disponível, então a logística é muito complexa”, explica Inez Gadelha, diretora do Departamento de Atenção Especializada do Ministério da Saúde em entrevista ao programa Cidadania.

Histórico - A FAB realiza apoio logístico no transporte de órgãos há muito tempo. Em 2013, recebeu prêmio Destaque na Promoção da Doação de Órgãos e Tecidos do Ministério da Saúde. No ano passado, a iniciativa de manter um enfermeiro plantonista 24h dentro do Centro de Gerenciamento da Navegação Aérea (CGNA) para aumentar a capilaridade na distribuição de órgãos para transplante no Brasil por meio da disponibilização de voos foi uma das vencedoras do 20° Concurso Inovação na Gestão Pública Federal promovida pela Escola Nacional de Administração Pública (ENAP) em parceria com o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG).