RIO 2016

A trilha do Sargento Gideoni Monteiro até os Jogos Olímpicos

O atleta enfrentou morte do pai, troca de equipes e cansaço
Publicado: 22/03/2016 09:50
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Fonte: BRASIL2016.GOV.BR
Edição: Agência Força Aérea, por Ten João Elias

  O Sargento Gideoni Rodrigues Monteiro, da Força Aérea Brasileira (FAB), é o único atleta a representar o País no ciclismo nos Jogos Olímpicos Rio 2016. Desde 1992, o Brasil não tinha um representante na competição. Mas para conseguir a vaga, Gideoni teve que persistir.

Um dos obstáculos ocorreu quando o pai dele morreu durante a competição nos Jogos Sul-Americanos de Santiago, no Chile, em 2014.

“Na última prova, as lágrimas desciam. Estava fazendo força para não sentir aquela dor. Meu pai me apoiava, eu sempre ligava para ele nas provas que fazia. Quando ele morreu, foi difícil”, conta o atleta, de 26 anos.

Maior incentivador de Gideoni, o pai José Lusmar faleceu em um acidente de carro em janeiro de 2014, na mesma época em que o ciclista saiu da equipe onde treinava em Ribeirão Preto (SP).

“Quando eles me mandaram embora, pensei: `Meu pai gostava tanto do que eu fazia, tenho que continuar´. Decidi que iria até a Olimpíada, que era meu sonho, nem que fosse avulso. E a equipe de Santos me contratou logo depois”, recorda.

Também nessa época, Gideoni entrou para a Aeronáutica, como atleta do programa de alto rendimento. “Fazer parte desta instituição séria me proporciona muita tranquilidade e segurança”, enfatiza.

 

Ele foi campeão brasileiro na Omnium em 2014 e quarto no pan-americano do mesmo ano. Isso lhe deu a classificação para a Copa do Mundo da modalidade, competição que marcava o início da contagem de pontos para o ranking olímpico.

  Mas não foi assim tão fácil. Gideoni estava iniciando um namoro e se acostumando à nova equipe quando teve que tomar uma decisão: sair da zona de conforto e ir para a Suíça, treinar com a seleção no centro que é referência do ciclismo de pista do mundo. A namorada, Raíssa Lira, deu apoio e a mudança ocorreu. “Quando eu soube da vaga no Pan, pensei: `Já que vou, quero brigar`. Dormia e acordava pensando nos Jogos”, conta.

Ele também relembra o tombo na terceira etapa da prova. “Eu me preparei tanto para chegar ali que, quando caí, só pensava em voltar. Não podia deixar um tombo me afetar. Voltei e terminei em segundo naquela prova”.

Agora com a participação garantida nos Jogos Olímpicos, ele não se satisfaz apenas em participar. “Sempre foi meu sonho. Agora que consegui, vou brigar. Não caí de paraquedas. Todo mundo que vai estar lá tem chance de medalha. O ranking começou com o mundo inteiro e ficaram 18. Vou dar 110% a cada dia para chegar competitivo, pronto, com a cabeça tranquila e colocar tudo em prática”, garante.

O ciclista atualmente se divide entre os treinos em Indaiatuba (SP), no Centro de Treinamento da seleção no velódromo de Maringá (PR) e os intercâmbios no Centro Mundial de Ciclismo da União Ciclística Internacional, em Aigle, na Suíça, realizados pela Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC) com apoio da Caixa Econômica Federal. Ele também se dedica ao ciclismo de estrada, que dá a resistência necessária para encarar bem as seis etapas da Omnium, competição de ciclismo de pista dos Jogos Rio 2016.

Se o cansaço é um grande obstáculo, Gideoni se apega à crença de que José Lusmar está feliz com toda a dedicação do filho. “Sempre que a coisa estava difícil, alguma coisa clareava. Meu pai não viu minha formatura na Aeronáutica, não viu minha medalha no Pan e não viu eu me classificar para Olimpíada, mas onde ele estiver, vai estar torcendo por mim”, diz.