BUSCA E SALVAMENTO

Brasil registrou cerca de oito operações SAR por dia em 2015

Foram 145 missões reais envolvendo aeronaves, resgate de 24 vítimas e emprego de 340 horas de voo
Publicado: 16/03/2016 09:00
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Fonte: Agência Força Aérea, por Ten Jussara Peccini

    Agência Forçca Aérea/Sargento JohnsonO Brasil registrou quase oito operações SAR (sigla do inglês Search and Rescue – Busca e Salvamento) por dia em 2015. Os números constam no Anuário SAR 2015 elaborado pelo Subdepartamento de Operações do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) e referem-se especificamente aos casos com a participação da Força Aérea Brasileira.

O relatório aponta ainda que 24 vítimas foram resgatadas, sendo 12 sobreviventes. Outras 190 receberam algum tipo de assistência do Sistema de Busca e Salvamento Aeronáutico Brasileiro  (SISSAR). Os dados apontam também que, no ano passado, 15 aeronaves e 8 embarcações foram localizadas.

Do total de 2.814 casos registrados, apenas 145 envolveram operações que contaram com apoio de aeronaves, o que resultou no emprego de 340 horas de voo ao longo do ano.

Cerca de 95%, ou seja, 2.669 foram resolvidos com contatos telefônicos durante as buscas iniciais por informações, quando operadores dos Centros de Coordenação de Salvamento (Salvaero) buscam, por exemplo, identificar o que houve com aeronaves que não pousaram nos aeródromos de destino ou alternativos indicados no plano de voo. "Na maior parte dos casos, o piloto decide pousar em um aeródromo diferente do alternativo e não avisa ninguém", explica o chefe da Seção de Coordenação e Controle SAR do DECEA, Capitão Gustavo Rossi.

  Agência Forçca Aérea/Sargento JohnsonOutro fator frequente responsável por inflar esse número são os acionamentos equivocados do ELT (Emergency Locator Transmitter), equipamento embarcado na grande maioria das aeronaves que é acionado em casos de emergência por uma ação voluntária ou por um impacto sofrido pela aeronave. O sinal captado por satélites é transmitido aos Salvaeros através do Centro de Brasileiro de Controle de Missão do COSPAS-SARSAT (BRMCC), localizado em Brasília (DF).

A informação contém também a posição exata da emissão do sinal. "As vezes o avião está no hangar para manutenção e o ELT é acionado por descuido", afirma.

O Capitão Rossi recorda de um caso em que a aeronave fez um pouso forçado em um canavial e o equipamento de emergência acionou. "O ELT acionou e ao fazermos contato com os bombeiros da cidade mais próxima soubemos que as pessoas a bordo já haviam sido resgatadas", exemplifica.

Mesmo sendo um item importante de localização, nem toda a frota de aeronaves brasileiras possuem o ELT. Ainda não há legislação que torna obrigatório o registro do ELT no BRMCC. Atualmente, 10.435 equipamentos estão registrados. Somente de 2014 para 2015, 776 novos equipamentos foram registrados.

A maior parte dos casos registrados como operação SAR pelo DECEA está nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, que responde por 35,30% do total. A região envolve o eixo Rio-São Paulo. Em segundo lugar, respondendo por 20,01%, estão os casos registrados no Atlântico incluindo, também, embarcações.

  Unidades aéreas envolvidas - O esforço aéreo de 340 horas de voo efetuado ao longo de 2015 para operações de busca e salvamento envolveu o acionamento de oito esquadrões de aviões e helicópteros para missões de busca e salvamento. Eles estão distribuídos por todo o Brasil: Belém (PA), Manaus (AM), Salvador (BA), Rio de Janeiro (RJ), Campo Grande (MS), Florianópolis (SC) e Santa Maria (RS). A frota é composta por aeronaves P-3AM Orion, P-95 Bandeirante Patrulha, SC-105 Amazonas, C-130 Hércules, H-1H Iroquois, H-60 Black Hawk e H-36 Caracal.

As missões de busca e salvamento realizadas pela FAB acontecem sobre todo o território nacional, sobre o mar territorial e ainda em uma ampla área de águas internacionais do Atlântico. Por força de tratados internacionais, o Brasil é responsável por essas missões em uma área de mais de 22 milhões de km², quase três vezes a extensão continental do País (de 8,5 milhões de km²).