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Brasil e Estados Unidos participam de workshop sobre controle do tráfego aéreo

O evento também abordou a melhor forma de educar os operadores de aeronaves remotamente pilotadas
Publicado: 09/03/2016 13:30
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Fonte: DECEA

  Pelo quinto ano consecutivo, especialistas em controle de tráfego aéreo dos governos brasileiro e norte-americano se reuniram para trocar experiências sobre a modernização do setor, em um workshop realizado entre os dias 1º e 3 de março, no Rio de Janeiro. A parceria existe desde o ano de 2012, quando os dois países assinaram um Memorando de Entendimento, que oficializou a cooperação Brasil-Estados Unidos. O objetivo é compartilhar experiências sobre as melhores práticas da indústria, melhorar a capacidade técnica e desenvolver soluções tecnológicas para os desafios do setor da aviação.

O workshop contou com a participação de órgãos governamentais de ambos os países, como representantes da Secretaria de Aviação Civil (SAC), do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), da Administração Federal de Aviação (FAA, Federal Aviation Administration) dos Estados Unidos, da Agência de Comércio e Desenvolvimento dos Estados Unidos (USTDA – United States Trade and Development Agency), de companhias aéreas e empresas de tecnologia nacionais e estrangeiras.

A importância da parceria entre as duas nações foi ressaltada na abertura do workshop pelo assessor especial para assuntos internacionais da SAC, João Batista Lanari Bó; pelo diretor regional da USTDA para América Latina e Caribe, Nathan Younge; e pela representante da FAA, Lorrie Fussell. O chefe do Subdepartamento de Operações do DECEA, Coronel Aviador Luiz Ricardo de Souza Nascimento, ressaltou que, no âmbito técnico, a cooperação entre Brasil e Estados Unidos é bem mais antiga. “Temos esse memorando assinado desde 2012, porém, devemos ter em mente que a parceria na parte técnica existe há mais de 40 anos, entre o DECEA e a FAA”, observou.

As palestras realizadas ao longo dos três dias do workshop tiveram como finalidade dar aos participantes uma visão geral da gestão de tráfego aéreo no Estados Unidos e no Brasil, e dos processos de tomada de decisão colaborativa na gestão do tráfego aéreo. Foram abordados, ainda, temas como tecnologias de torre de controle remota, compartilhamentos de informação na gestão do tráfego e aeronaves remotamente pilotadas.

  RPA - Greg Byus, da FAA, tratou da integração de aeronaves remotamente pilotadas (RPA) no espaço aéreo norte-americano. “Qualquer um pode comprar uma aeronave remotamente pilotada e voar no espaço aéreo, mas nem todos reconhecem que isso pode ter impacto na segurança das operações aéreas”, disse. O foco da FAA é em educar os usuários, segundo Byus, por meio de informativos nas embalagens e aplicativos nos quais o usuário busca orientação. “As pessoas compram aeronaves remotamente pilotadas para se divertir, mas precisam ter noção dos requisitos do tráfego aéreo”, afirmou. Existem 350 mil RPA registradas no Estados Unidos e, entre as que têm uso comercial, a maior parte é empregada na agricultura.

Representando o DECEA, o Capitão Aviador Leonardo Haberfeld Maia tratou do mesmo tema. No Brasil, existem 80 mil operadores de RPA registrados, mas um mesmo operador pode possuir mais de uma aeronave. “A RPA abre grandes possibilidades operacionais, porém o uso irregular é reconhecidamente uma ameaça nos céus. Por isso, é preciso a coordenação com os órgãos de tráfego aéreo e as regras precisam ser obedecidas”, ressaltou.

Grandes eventos - O Capitão José Airton Patricio, especialista em controle de tráfego aéreo, tratou da questão dos grandes eventos. Os Jogos Olímpicos e Paralímpicos serão o quinto e o último de uma sequência de eventos internacionais de grande porte, como a Conferência Rio+20 (2012), Copa das Confederações (2013), Jornada Mundial da Juventude (2013) e a Copa do Mundo (2014). “Temos certos complicadores como a questão das zonas de exclusão aérea, que era uma em eventos anteriores e serão cinco nos Jogos Olímpicos, o que aumenta a complexidade de interação das ações da defesa aérea com o controle de tráfego aéreo. Estamos preparados”, concluiu o Capitão Patrício.