SAÚDE

Mais de 300 militares da FAB preparados para atuar na guerra ao mosquito Aedes Aegypti

Eles devem auxiliar no combate e na prevenção do vetor em Recife e Parnamirim (RN)
Publicado: 23/12/2015 13:35
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Fonte: Agência Força Aérea

Os militares da Força Aérea Brasileira (FAB) estão sendo preparados em várias organizações para atuar no combate ao mosquito transmissor da dengue, chikungunya e zika vírus. Na região nordeste (Recife e Natal) um efetivo de mais de 300 homens foi treinado e deve começar a atuar em breve. Além disso, várias unidades têm feito sua lição de casa para ajudar na erradicação dos focos do vetor.

De acordo com o Ministério da Saúde,  a situação é grave e requer o esforço de toda a população. O ministro da Saúde, Marcelo Castro, pediu a mobilização da sociedade e dos agentes públicos para evitar a proliferação do Aedes Aegypti.

“Ou a sociedade brasileira se envolve, se mobiliza para combater o Aedes Aegypti ou nós não seremos vitoriosos. O momento que estamos vivendo é muito grave”, disse o ministro.

No Rio Grande do Norte, cento e cinquenta soldados e seis sargentos da Base Aérea de Natal (BANT) estão terminando um estágio para o combate ao mosquito. Na parte teórica, ele assistiram a uma palestra na terça-feira (22/12)  com uma equipe da secretaria de saúde do município de Parnamirim, no Rio Grande do Norte, onde aprenderam sobre as características do mosquito, como identificar focos, entre outros temas. A parte prática, acompanhada por agentes de saúde, deve ser realizada entre os dias 28 e 30 de dezembro. Após isso, receberão uma certificação e devem começar a atuar em Parnamirim.

De acordo com o coordenador de promoção à saúde do município, Moizés Campos, a região registra até o momento 1651 casos de dengue notificados, sendo 225 confirmados por testes laboratoriais; 137 de chikungunya e 11 casos de zika. "A situação é crítica. Essa parceria com a Força Aérea será fundamental no combate ao vetor. A presença dos militares poderá facilitar o acesso às residências", explica Campos.     

No  Recife (PE) a luta contra o Aedes Aegypti ganhou um reforço com a capacitação, na quinta-feira (17/12),  de 160 militares do Batalhão de Infantaria da Aeronáutica Especial de Recife (BINFAE-RF). Com o apoio da Secretaria de Saúde do Estado de Pernambuco, o treinamento ministrado aos militares incluiu palestras sobre a situação epidemiológica da dengue, chikungunya e zika e orientações para evitar a proliferação de criadouros.

Com o aumento do número de casos das doenças causadas pelo mosquito transmissor no Estado, militares da Força Aérea atuarão, a partir desta quarta-feira (23/12), em coordenação com agentes de saúde com o objetivo de interromper surtos epidêmicos causados pelos vetores e ampliando o acesso da fiscalização nas residências.

Os soldados do BINFAE-RF serão auxiliares dos agentes de controle de endemias para identificar focos dos mosquitos, aplicar larvicidas em locais de água parada e também orientar a população a respeito dos riscos trazidos pelo Aedes Aegypti.

“O trabalho dos militares em campo será desenvolvido em uma área de abrangência restrita. Cada área de atuação é de responsabilidade de um soldado junto ao agente de saúde. Mas se a população não cooperar, de nada valerão os nossos esforços. A participação das Forças Armadas dá mais credibilidade para nossa equipe ao visitar o interior das habitações”, ressalta Osvaldo Barbosa da Costa, instrutor do Ministério da Saúde.

Prevenção

A médica do Hospital de Aeronáutica dos Afonsos (HAAF), Tenente Kelly Rafael Gomes Pinto, salienta que  o mais importante nesta verdadeira guerra é a prevenção. “Evitar os criadouros do mosquito, lembrando de pequenos armazenamentos de água, como calhas, coletores de ar condicionado e de geladeira”, exemplifica.

Em relação aos sintomas, a médica explica que as três doenças – zika, chikungunya e dengue – se confundem e que é muito importante manter a hidratação, inclusive com soro caseiro.

“A dengue é a doença que traz mais consequências, mas como os sinais podem ser confundidos, é importante que o paciente procure atendimento médico em qualquer caso suspeito”, completa a Tenente Kelly.

Ações 

Sem perder de vista que o combate começa dentro de casa, diversas unidades da FAB também estão adotando ações, principalmente para conscientizar seu efetivo. No Sétimo Comando Aéreo Regional (VII COMAR), por exemplo, o material do Ministério da Saúde está sendo replicado no site da instituição. Com isso, espera-se atingir  diretamente 350 pessoas do efetivo.      

No Nordeste, região que tem o maior número de registro de doenças relacionadas ao mosquito, a FAB realizou uma ação no início de dezembro que acabou refletindo no combate ao Aedes Aegypti. Militares sediados em Natal recolheram lixo na Rota do Sol, via expressa que liga o centro a diversas praias do Rio Grande do Norte.

Eles também conscientizaram a população sobre os perigos e desvantagens de se jogar lixo nas ruas. Uma delas é o acúmulo de água no lixo, o que caracteriza um ambiente propício para a proliferação do mosquito.

“É uma forma de conscientizar a população e os turistas principalmente neste momento que cada um deve saber da responsabilidade que tem para o combate ao mosquito”, declarou o Capitão Élio César, organizador da ação.

Mosquito transmite zika, dengue e chikungunya

De acordo com o Ministério da Saúde, até 14 de novembro foram registrados 1.534.932 casos de dengue no Brasil. Houve 811 óbitos. Na comparação do ano de 2015 com o de 2013, quando houve uma epidemia da doença, foi verificado um aumento de 7% nos registros de pessoas infectadas pela dengue.

Já os casos de microcefalia em todo o país aumentaram 16% em apenas uma semana. Segundo o novo boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, até o último sábado (19/12), foram notificados 2.782 casos suspeitos e 40 mortes possivelmente relacionadas ao vírus Zika. Pernambuco continua sendo o estado com maior número: 1.031. Em seguida vem a Paraíba, com 429 casos, e a Bahia, com 271. Outros 18 estados também registraram ocorrências da doença.Foram registrados ainda 1.761 casos suspeitos de microcefalia, em 422 municípios de 14 unidades da federação, até o dia 5 de dezembro. Pernambuco registrou o maior número de casos (804). Em seguida estão os estados de Paraíba (316), Bahia (180), Rio Grande do Norte (106), Sergipe (96), Alagoas (81), Ceará (40), Maranhão (37), Piauí (36), Tocantins (29), Rio de Janeiro (23), Mato Grosso do Sul (9), Goiás (3) e Distrito Federal (1).

Entre o total de casos de microcefalia, foram notificados 19 óbitos, nos estados do Rio Grande do Norte (7), Sergipe (4), Rio de Janeiro (2), Maranhão (1), Bahia (2), Ceará (1), Paraíba (1) e Piauí (1). As mortes foram de bebês com microcefalia e suspeita de infecção pelo vírus Zika. Os casos ainda estão em investigação para confirmar a causa dos óbitos.

Além da dengue e do zika vírus, o mosquito Aedes Aegypti também transmite a febre Chikungunya. Segundo o Ministério da Saúde, foram 6.724 casos confirmados da doença em 2015.

Assista ao vídeo do Ministério da Saúde: