SEGURANÇA DE VOO

Apontar raio laser para cabines de aeronaves é crime e pode causar acidentes

Desde o dia 1º de junho deste ano até hoje (25/06), o CENIPA recebeu 41 notificações de usos do laser contra tripulações de aeronaves
Publicado: 26/06/2015 09:49
Imprimir
Fonte: Agência Força Aérea

  Sargento Batista / Agência Força AéreaApontar raio laser para cabines de aeronaves traz sérios riscos à aviação, pois dificulta a visão dos pilotos em momentos sensíveis do voo, como aproximação e pouso. O feixe de luz pode causar cegueira instantânea, visão ofuscada e até mesmo lesões mais graves, como queimaduras na retina, que incapacitam o piloto a realizar as manobras com segurança.

No Brasil, a brincadeira de mau gosto é crime tipificado no artigo 261 do Código Penal, que prevê reclusão de dois a cinco anos. Desde o dia 1º de junho deste ano até hoje (26/06), o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) recebeu 41 notificações de usos do laser contra tripulações de aeronaves. Os reportes são realizados voluntariamente no site do CENIPA e indicam uma alta incidência da prática no país.

Em 2004, a Federal Aviation Administration (FAA) – órgão responsável pela regulamentação da aviação civil nos EUA – realizou uma pesquisa que comprova os efeitos do raio laser na destreza dos pilotos. Usando um simulador do Boeing 727, 34 pilotos voluntários foram atingidos por feixes de luz enquanto realizavam manobras de aproximação e pouso. O estudo concluiu que 75% deles tiveram algum tipo de dificuldade operacional, como abortar o pouso e passar o comando ao copiloto.

O Major Marcello Borges da Costa já passou por esse tipo de experiência enquanto pilotava uma aeronave VC-2, da frota presidencial, em meados de 2013. "Eu estava em procedimento de descida, e o laser atingiu o parabrisa. Além de ser um momento de distração, ofuscou momentaneamente minha visão. Naqueles milésimos de segundo eu não via nada. Tive sorte de ter durado pouco e de não ter acontecido em fases mais críticas do voo, como aproximação e pouso", explica o piloto.

Segundo o manual do Curso Básico de Prevenção de Acidentes Aeronáuticos, elaborado pelo CENIPA, é recomendável que os pilotos, ao sofrerem incidência de raio laser na cabine, adotem alguns procedimentos, como proteger os olhos, acionar o piloto automático, transferir, se necessário, o comando do voo para o copiloto e considerar a necessidade de arremeter. Outra orientação importante é de que os casos devem ser reportados ao Centro, para que ele tenha dados e subsídios para interpretar os cenários e planejar suas ações de prevenção.

O CENIPA atribui as ocorrências a uma combinação entre desconhecimento sobre as consequências da prática e acessibilidade aos dispositivos que emitem laser, a um preço muito baixo. "Trabalhamos junto a escolas, pois a maior parte dos casos envolve crianças e adolescentes. Em 2013, fizemos uma parceria com a Fundação Maurício de Souza e lançamos uma revista da Turma da Mônica alertando para o perigo de apontar os feixes de luz a cabines de aeronaves. As pessoas precisam se conscientizar que a prática pode trazer consequências catastróficas para a aviação", explica o Coronel Alexandre Gomes da Silva.