ESPORTE

Atletas de Tiro com Arco da FAB buscam vaga nos Jogos Olímpicos

Os militares treinam cerca de seis horas todos os dias e vão participar de competições internacionais
Publicado: 29/06/2015 07:35
Imprimir
Fonte: Agência Força Aérea

  De olho nos Jogos Mundiais Militares, na Coreia do Sul, em outubro deste ano, e principalmente nas Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016, os atletas de Tiro com Arco da Força Aérea Brasileira treinam em ritmo acelerado. São pelo menos seis horas por dia em um estande montado no Campo dos Afonsos (RJ), tudo visando a um bom resultado nessas competições.

“Venho treinando bastante e o nível dos meus resultados está subindo”, comemora a Sargento Sarah Nikitin, atleta de alto rendimento incorporada à FAB em 2014. Medalha de prata na categoria dupla mista na Copa do Mundo em Medelin, na Colômbia, a atleta da seleção brasileira aponta as coreanas como principais adversárias a serem enfrentadas. “Na Coreia, o esporte é muito difundido e se pratica desde muito cedo nas escolas”, explica a sargento.

Com participação nas Olimpíadas de Londres (2012), o Sargento Daniel Rezende Xavier, pentacampeão brasileiro e campeão sul-americano em 2002, aposta na força do elenco brasileiro para subir ao pódio. “A expectativa é alta, pois contamos com o melhor time da história da modalidade, considerando os resultados alcançados. A preparação para as Olimpíadas está sendo feita da melhor forma possível”, avalia o Sargento. Para o militar, os Jogos Pan-Americanos e o Mundial Militar servirão como parâmetro para o desempenho dos atletas. “Elas serão competições-chave para desempenharmos um bom papel nos Jogos Olímpicos”, completa.

O auxiliar-técnico da seleção brasileira de Tiro com Arco, Evandro de Azevedo França, explica que nos últimos anos a modalidade deu um salto qualitativo. Ele afirma estar confiante no talento dos arqueiros brasileiros. “De 2011 para cá houve uma melhora no nível técnico. Temos uma safra muito boa de atletas e a expectativa é brigar por medalhas nas Olimpíadas”, aposta França.

Jovem aposta

Uma das promessas é o Sargento Edson Kim, de apenas 19 anos, que foi incorporado como atleta de alto rendimento em 2014. Depois de uma contusão que o afastou do esporte por um ano, o atleta retornou às atividades. “O Brasil está bem forte. E não tem nada melhor do que conseguir uma medalha em casa”, diz o Sargento Kim, referindo-se às Olimpíadas do Rio de Janeiro. 

Descendente de orientais, ele explica que o militarismo agregou muito à sua carreira esportiva e dá as dicas sobre as principais características de um bom arqueiro. “Primeiro, o arqueiro precisa ter o domínio sobre o corpo para realizar toda a parte técnica. Segundo, domínio sobre a mente para que, no momento de pressão, possa realizar o que treinou todos os dias. E terceiro, domínio sobre as emoções para não deixar nada interferir no tiro. Quem tiver o domínio sobre esses três pontos é o arqueiro ideal”, ensina.

História da modalidade

Atividade de caça e guerra nos primórdios da civilização, o Tiro com Arco passou a ter popularidade como esporte a partir dos séculos XVI e XVII, com a prática de torneios na Inglaterra. Sua estreia nos Jogos Olímpicos foi no ano de 1900, em Paris.

As mulheres começaram a participar da disputa já na edição de 1904, em Saint Louis, nos Estados Unidos, o que torna o Tiro com Arco um dos primeiros esportes a incluir provas femininas nos Jogos Olímpicos.

A modalidade se manteve em 1908 (Londres) e 1920 (Antuérpia, na Bélgica), mas depois acabou sendo retirada. O retorno ao programa olímpico aconteceu apenas nos Jogos de 1972, em Munique, na Alemanha. Bem antes disso, em 1931, surgia a Federação Internacional de Tiro com Arco (World Archery Federation, em inglês).

Existem dois tipos de arco: o recurvo, único permitido nas disputas olímpicas, formado por lâminas, punho e corda; e o mais utilizado para a caça, que é composto por um sistema capaz de alcançar maiores potências com menos esforço.

O Tiro com Arco tem disputas individuais e por equipes (com três arqueiros cada). O objetivo é simples: acertar as flechas o mais perto possível do centro do alvo, que está colocado a uma distância de 70 metros e tem 1,22 metro de diâmetro. Quem tiver o melhor desempenho vence.

Ao serem disparadas, as flechas podem ultrapassar a velocidade de 240 quilômetros por hora – o que exige dos arqueiros precisão nas mãos, força nos ombros, flexibilidade muscular, boa mira e, acima de tudo, tranquilidade.