ELEIÇÕES 2014

“Trazemos a opinião desse povo distante para a democracia do país”, afirma piloto

FAB encerrou distribuição de urnas no Acre nesta sexta-feira (24). Em Sobral, interface entre índios e mesários é feita por tradutor.
Publicado: 25/10/2014 08:30
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Fonte: Agência Força Aérea

  A Força Aérea Brasileira (FAB) encerrou nesta sexta-feira (24/10) a distribuição de urnas no estado do Acre. Ao todo, 42 comunidades de difícil acesso como seringais, comunidades indígenas e ribeirinhas foram atendidas.

Esta não é a primeira eleição em que o Capitão Pedro Henrique Gerwing, piloto de helicóptero na FAB, realiza o transporte de urnas para localidades distantes. A última foi em 2012 nas eleições municipais. Na avaliaç
ão do piloto, a operação permite aprimorar as decisões de locais de pouso que, geralmente, são estreitos, como clareiras, e como fazer a aproximação. “O pouso em áreas remotas, às vezes muito confinadas, aprimora muito a pilotagem, o julgamento do piloto”, avalia.

Além disso, imprevistos como mudanças meteorológicas, comuns na região amazônica, e necessidade de transportar feridos ou doentes, impõem a necessidade de adaptação. “Muita coisa acontece e precisamos replanejar as rotas”, destaca.

Na quinta-feira (23/10) a tripulação comandada por ele transportou as equipes (mesários e policiais) e urnas eletrônicas para nove comunidades diferentes no Acre. Entre as localidades estavam a aldeia Boa Vista, a cerca de 120km (em linha reta) da cidade de Taraucá. A aldeia era a mais distante da rota do dia. Para o Capitão, é gratificante participar do processo democrático trabalhando para tornar o voto mais fácil para as comunidades.
  “Só com meio aéreo mesmo para conseguir atingir esse pessoal e trazer a opinião desse povo distante para a democracia do país”, afirma.

Aldeias Califórnia e Novo Marinho


De Taraucá, um dos helicópteros H-60 Black Hawk, seguiu na quinta-feira para Feijó, município com cerca de 30 mil habitantes. Na pista de pouso da cidade, embarcou a equipe que vai trabalhar nas eleições na Aldeia Califórnia, onde vivem índios das etnias Kulina e Kampa, ao longo do rio Envira. O local faz fronteira com o Peru. A única forma de comunicação no local é um orelhão
movido a energia solar conectado a uma antena via satélite.

 A equipe composta por sete pessoas incluía dois agentes da Polícia Federal e o representante da Funai em Feijó. A presença dos federais foi solicitada pela juíza eleitoral da região. De acordo com o chefe substituto da Funai em Feijó, José Augusto Brandão, há cerca de 90 dias chegaram o primeiros informes sobre a aproximação de indígenas desconhecidos nesta aldeia. “Ninguém sabe de qual tribo eles são. Não conhecemos. Eles são arredios”, explica.

Na aldeia funcionam duas seções eleitorais: números 67 e 69. Cerca de 300 índios estão aptos para votar. Parar os oito dias em que ficará no local, a equipe levou desde panelas até o carvão para cozinhar os alimentos. “Lá não tem nada, nem fogão. Temos que levar tudo. Os índios cultivam apenas macaxeira e banana”, lembra Neycássio da Silva Melo, presidente de uma das seções, que já viveu a experiência de ficar uma semana no local durante as eleições de primeiro turno. Além dos objetos pessoais, o grupo também embarcou com dez galões de 20 litros cada. “É água para beber e cozinhar”, afirma. Na aldeia Califórnia, a água para beber é retirada de igarapés.

Outras duas localidades bastante distantes são Sobral e Novo Marinho, cerca de 27km e 40 km, respectivamente, de Santa Rosa do Purus, uma das cidades mais próximas da fronteira com o Peru. Para Sobral a equipe incluiu um tradutor para fazer a interface entre os mesários e os índios.