SEGURANÇA DE VOO

Investigação de acidentes aeronáuticos no Brasil é tema de workshop na Europa

CENIPA demonstrou durante conferência europeia os desafios encarados quando o acidente ocorre na selva amazônica
Publicado: 26/05/2014 08:52
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Fonte: CENIPA

A realidade do investigador brasileiro de   www.raizdavida.com.bracidentes aeronáuticos foi apresentada nos dias 14 e 15 de maio pelo Coronel Aviador Fernando Camargo, do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), no workshop da Conferência Europeia de Aviação Civil (ECAC) realizado em Lucerne, Suíça. Entre os aspectos demonstrados estão os desafios que o investigador encara quando o acidente ocorre na selva amazônica, por exemplo mobilização de helicópteros, guincho para descer ao local do acidente, insetos e animais selvagens, risco de desidratação e longas caminhadas.

Com o tema "Investigações em Ambientes Extremos e Desafiadores", o workshop mostrou, além da selva, as dificuldades de se investigar um acidente ocorrido em regiões congeladas, desertos, áreas de conflito, grandes altitudes e áreas urbanas.

Segundo o Coronel Camargo, saber os procedimentos para investigação de acidentes em ambientes extremos é útil para todo investigador. Se ocorrer um acidente aeronáutico com uma aeronave da Embraer (fabricante brasileira) no deserto do Saara, por exemplo, o Brasil deverá enviar um investigador como representante creditado para acompanhar todo o processo. “Esse workshop vai auxiliar a Organização de Aviação Civil Internacional (OACI) a enriquecer o manual de orientações para investigação em diversos tipos de ambientes”, declarou.

Especificamente voltada para a investigação de acidentes aeronáuticos, a Conferência Europeia de Aviação Civil ocorre a cada dois anos. A edição de 2014 contou com a participação de mais de 70 especialistas das principais autoridades de investigação do mundo, além de representantes de fabricantes, associações e da Organização de Aviação Civil Internacional (OACI).

Durante a apresentação dos desafios da investigação de acidentes em ambiente de selva, o Coronel Camargo, investigador do CENIPA com mais de 13 anos de experiência, ressaltou a segurança do investigador em face dos perigos da fauna amazônica e das dificuldades logísticas. “Encontrar aeronaves grandes que caíram na selva costuma ser mais fácil do que encontrar as pequenas. Estas causam pouco estrago às árvores, por isso fica mais difícil enxergar os destroços do alto”, afirma o Coronel Camargo, destacando uma das várias particularidades desse tipo de investigação.
 
Segundo ele, o acesso ao local do acidente normalmente será por helicóptero. As comunicações só podem ser feitas via rádio ou satélite. É preciso planejar e levar bateria, além de alimentos suficientes para a atividade. Há casos em que será indispensável estabelecer uma base de operações para dar apoio a todos os envolvidos na atividade.

SERIPA VII - O Sétimo Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (SERIPA VII), com sede em Manaus (AM) e responsável por investigar os
Coronel Camargo representa o Brasil na Europa  acidentes na região amazônica, realiza periodicamente um treinamento com os investigadores. Com base também nessa atividade, o Coronel Camargo alertou à comunidade europeia sobre a importância de estar treinado para atuar na selva.

“A ação inicial da investigação na selva tem as mesmas características de uma operação de resgate. É preciso estar vacinado contra doenças tropicais, saber a técnica de descer no guincho do helicóptero, lidar com calor de dia e frio à noite, além de usar constantemente os equipamentos de proteção contra riscos biológicos”, finalizou.