OPERACIONAL

Tripulação da FAB treina busca de homem ao mar

Publicado: 27/09/2013 14:50
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Fonte: Agência Força Aérea

Tripulação se prepaara para o voo de até 7 horas  Sgt Bruno Batista / Agência Força AéreaOndas de 5 metros, mar agitado e ventos fortes. Nada disso impediu que a tripulação de um P-95 Bandeirante Patrulha cumprisse a missão de localizar um homem ao mar no exercício Carranca 2, que acontece até esta sexta-feira (27/9) em Florianópolis (SC).

Já no local do avistamento, a mais de 100 km da costa, a tripulação do Esquadrão Phoenix constatou que o objeto da busca na realidade era um manequim - como os de lojas de roupas - vestido com colete salva-vidas e lançado ao mar pela direção do exerício. Com 1,8 metro de altura, o boneco poderia estar em uma área de centenas de quilômetros quadrados, mas foi encontrado.

Para o Tenente André Moura, piloto da aeronave, encontrar essa "agulha no palheiro" não é questão de sorte. "Tanto o Salvaero e quanto a nossa tripulação estavam preparados para fazer esse tipo de busca. O planejamento sendo correto, e os observadores sendo bem treinados, com certeza são fatores que influenciaram positivamente na nossa missão", defende.

Em uma busca sobre o mar, o P-95 voa a 150 metros, uma altura tão baixa que após a missão é necessário dar um banho na aeronave para retirar o sal que se acumula na fuselagem. Sobre o mar, com a visão de apenas água para todos os lados, a tripulação também tem o desafio de manter a rota planejada mesmo sem ter referências visuais. Para complicar, uma missão de busca exige várias curvas, em um padrão de voo em que o avião faz uma série de quadrados para permitir a observação detalhada de cada faixa da superfície.

Tenente Moura explica a importância do radar  Sgt Bruno Batista / Agência Força Aérea"Não é uma missão fácil de cumprir. É preciso planejar muito bem o padrão de busca e os observadores precisam estar muito atentos", completa o Capitão Luís Carlos Couto, que atua no Salvaero do Recife e também participa do exercício Carranca 2 coordenando missões simuladas de busca e resgate.

Radar para ver mais longe

Menor que o SC-130 Hércules ou SC-105 Amazonas, o P-95 também cumpre a missão de busca visual, embora sem as grandes janelas de observação e com menos tripulantes. Por outro lado, o imenso bico do avião guarda um trunfo: o radar Super Searcher. Em alguns casos, o equipamento consegue localizar grandes embarcações a 100 milhas náuticas de distância, equivalente a mais de 180 quilômetros.

"A busca visual é bastante efetiva, porém é restrita em termos de distância. O nosso radar vai aumentar de sobremaneira a distância em que a gente vai poder verificar uma possível localização do alvo da nossa busca", explica o Tenente Moura. O equipamento também ajuda na navegação sobre o Oceano e permite saber a localização de todas as embarcações na área de busca.

Modernização

P-95 do Esquadrão Phoenix no exercício Carranca 2  Sgt Bruno Batista / Agência Força AéreaNove P-95 da FAB vão passar por um processo de modernização para ampliar a vida útil das aeronaves e substituir seus equipamentos eletrônicos, inclusive o radar. O novo modelo, o Sea Sprey 5000E, é o mesmo a ser adotado também nos helicópteros Sea Lynx da Marinha Britânica e aviões HC-130 Hércules da Guarda Costeira dos Estados Unidos. Com o novo radar, será possível localizar embarcações a distâncias maiores e detectar até manchas de óleo. A revitalização acontece no Parque de Material Aeronáutico dos Afonsos, no Rio de Janeiro (RJ), e inclui ainda 41 unidades da versão de transporte, o C-95.

Além do Esquadrão Phoenix, baseado em Florianópolis (SC), a FAB também possui aeronaves P-95 no Esquadrão Netuno, de Belém (PA). Em Salvador, também há o Esquadrão Orungan, equipado com aviões P-3AM, mais moderno e de maior parte, com autonomia para voos de até 16 horas. Estas unidades constituem a chamada Aviação de Patrulha, que cumpre missões de vigilância sobre o mar territorial brasileiro e a Zona Econômica Exclusiva.