A importância da Aviação de Busca e Salvamento


Em sete anos (de 2012 a 2018), a Força Aérea Brasileira (FAB) localizou 236 pessoas vítimas de acidentes aeronáuticos e marítimos em operações de Busca e Salvamento (SAR, do inglês, Search And Rescue). Somente em 2018, 29 pessoas foram encontradas com vida por aeronaves da FAB. Outras 44 receberam algum tipo de assistência do Sistema de Busca e Salvamento Aeronáutico Brasileiro (SISSAR). Os dados apontam também que, no ano passado, três embarcações foram localizadas. Além disso, foram realizadas 2.278 buscas estendidas por comunicações (EXCOM).

Um dos casos registrados foi o resgate aos feridos, em dezembro de 2018, no acidente com o monomotor de matrícula PT-ICN que estava com duas pessoas a bordo. Assim que se caracterizou o desaparecimento, uma aeronave da FAB foi acionada e iniciou as buscas pelo avião desaparecido. Também foi acionado um helicóptero capacitado para realizar o salvamento de possíveis vítimas.

Após quatro dias de buscas, inclusive com a realização voos noturnos através de busca eletrônica, a aeronave desaparecida foi localizada e seus dois ocupantes foram encontrados com vida. O helicóptero H-60 do Esquadrão Pelicano atuou nos resgates e equipes da FAB realizaram os primeiros socorros.

No total, desde 2012, foram registradas mais de 13 mil ocorrências, sendo que aproximadamente 8% desses casos eram situações reais que envolveram algum esforço de busca e salvamento, inclusive com a participação de aeronaves. A maioria dos casos são resolvidos com contatos telefônicos durante as buscas iniciais por informações quando operadores dos Centros de Coordenação de Salvamento (Salvaero) buscam, por exemplo, identificar o que houve com aeronaves que não pousaram nos aeródromos de destino ou alternativos indicados no plano de voo.

As missões de busca e salvamento realizadas pela FAB acontecem sobre todo o território nacional, sobre o mar territorial e ainda em uma ampla área de águas internacionais do Atlântico. Por força de tratados internacionais, o Brasil é responsável por essas missões em uma área de mais de 22 milhões de km², quase três vezes a extensão continental do País (de 8,5 milhões de km²).

Busca e Salvamento


Conheça o Esquadrão Pelicano

Um Esquadrão da FAB é exclusivamente treinado para missões SAR: o Segundo Esquadrão do Décimo Grupo de Aviação (2°/10° GAV), Esquadrão Pelicano. No entanto, outros Esquadrões Aéreos também podem realizar missões de Busca e Salvamento, desde que tenham suas tripulações com treinamento específico.

O 2º/10º GAV foi criado no dia 06 de dezembro de 1957 na Base Aérea de São Paulo, de onde foi transferido em 1972 para a Base Aérea de Florianópolis, em Santa Catarina, sempre operando com os bimotores anfíbios Grumman SA-16A Albatroz e os helicópteros Bell SH-1D Iroquois. No dia 20 de outubro de 1981, o Esquadrão foi transferido para a Base Aérea de Campo Grande, hoje Ala 5, no Mato Grosso do Sul, quando passou a utilizar os Embraer SC-95B Bandeirante SAR e os helicópteros Bell UH-1H Iroquois.

Em 2006 a FAB alterou a designação de todos os seus helicópteros, retirando a letras C e U do nome, dessa forma, o Bell UH-1H passou a ser Bell H-1H Iroquois e atuou na FAB até outubro de 2018. Atualmente o Esquadrão utiliza a aeronave H-60 Black Hawk.

No dia 03 de abril de 2009, pousou na então Base Aérea de Campo Grande, atualmente denominada Ala 5, o primeiro CASA/EADS C-105 Amazonas do Esquadrão Pelicano, matriculado FAB-2810. Em 10 de julho do mesmo ano, chegou o FAB-2811. Essas aeronaves foram consideradas como modelos de transição, pois contavam apenas com parte do equipamento SAR a ser utilizado. Para cumprir as suas missões, o FAB-2810 e o FAB-2811 foram equipados com plataformas removíveis com dois assentos para os observadores e um armário de equipamentos, além das bolhas para observação nas laterais da fuselagem. No restante, eram iguais aos C-105A dos Esquadrões Arara e Onça.

No final de junho de 2010, o 2º/10º GAV desativou os Embraer SC-95B Bandeirante SAR, com os quais operou por mais de 30 anos. Em outubro do mesmo ano, os C-105 passaram a ser designados SC-105, recebendo a faixa laranja com as letras SAR no alto do estabilizador vertical, de acordo com o padrão internacional.

No dia 03 de agosto de 2017, o Esquadrão recebeu a nova aeronave FAB 6550 SC-105 Amazonas SAR, equipada com os mais modernos recursos para Busca e Salvamento. O avião representou um salto para a Unidade, permitindo que novas tecnologias aumentassem a sua operacionalidade.

O Esquadrão Pelicano mantém permanentemente uma aeronave e um helicóptero em alerta para decolagem, equipados para atender a qualquer situação de emergência, seja na terra ou no mar.

Com atuação em todo o território nacional e no exterior, ao longo de sua história, o Esquadrão Pelicano tem atuado em diversas missões de resgate, desde as menos conhecidas até aquelas de extensa divulgação na mídia, como as buscas ao VARIG 254, em 1989, ao GOL 1907, em 2006 e ao AIR FRANCE 447, em 2009. Paralelamente, atua no atendimento às populações atingidas por desastres naturais como aconteceu no terremoto no Peru em 1972, enchentes na Bolívia em 2007 e, dentro do território nacional, nas enchentes da Região Serrana do Rio de Janeiro, em Santa Catarina e no Estado do Acre.




Passo a Passo do acionamento


Saiba como a FAB é acionada para busca e salvamento de aeronaves e embarcações

Tudo começa com o Sistema de Busca e Salvamento Aeronáutico (SISSAR), que tem a missão de localizar e socorrer ocupantes de aeronaves e embarcações em situações de perigo. Esse sistema tem um órgão central, o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), que normatiza, coordena e controla as ações de Busca e Salvamento.

Sob a gerência do DECEA trabalham em estado de alerta, 24h por dia, durante todo o ano, mais cinco órgãos regionais, conhecidos como SALVAERO (Atlântico, Brasília, Curitiba, Manaus e Recife), que estão distribuídos estrategicamente em diferentes pontos do território nacional, subordinados aos Centros Integrados de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (CINDACTA), que executam atividades de controle do tráfego aéreo classe geral e militar, a vigilância do espaço aéreo e comando das ações de defesa aérea no Brasil.

Outros órgãos também trabalham em conjunto com o SALVAERO, como: Marinha do Brasil, Exército Brasileiro, Polícias Militar e Civil, Corpo de Bombeiros e outras organizações públicas, privadas e não governamentais.

O acionamento acontece quando um aparelho eletrônico chamado Baliza Eletrônica (ELT – Emergency Locator Trasmitter), que existe na maioria das aeronaves, dispara automaticamente pelo impacto da queda ou manualmente pelo piloto. A baliza eletrônica transmite um sinal detectável por satélites e por aeronaves que estão próximas. Os satélites captam esses sinais e eles são transmitidos a estações terrestres (antenas localizadas em Brasília, Recife e Manaus). Logo após identificar a baliza, o Centro de Controle de Missão (CCM), em Brasília, envia esses dados ao SALVAERO da região para iniciar os procedimentos de busca.

Um alerta de uma baliza demora dois minutos entre o seu acionamento e a detecção por uma estação rastreadora. Caso a baliza tenha GPS, a sua localização será enviada junto com a mensagem de alerta transmitida pela baliza. Caso não tenha, terá sua posição calculada utilizando os dados de detecção fornecidos por um ou mais satélites.

No caso de desaparecimento de uma aeronave, quando não há comunicação entreo órgão de controle e o piloto, o CINDACTA informa ao SALVAERO e este inicia os procedimentos de busca. Caso o SALVAERO, após averiguar todas as informações necessárias, não consiga confirmar a situação de segurança da aeronave, ele irá acionar os Esquadrões de Busca e Salvamento da FAB.

Missão de Busca e Salvamento


Conheça quem atua nas missões e como funciona o processo

- Missão de Busca

No caso do Esquadrão Pelicano ser acionado para uma Missão de Busca, será empregada a aeronave SC-105 SAR com sua tripulação composta de dois pilotos, um mecânico de voo, um loadmaster (mestre de carga) e quatro Observadores SAR, sendo dois também Militares do PARA-SAR e paraquedistas habilitados para salto livre.

A divisão das funções da tripulação acontece da seguinte forma: O oficial aviador mais antigo será o Comandante da Aeronave, que é o responsável pelo gerenciamento da missão e pela segurança da aeronave e da tripulação.

O segundo oficial aviador fica responsável pelo planejamento da missão no que diz respeito à navegação aérea, além de auxiliar o Comandante da Aeronave. Durante os voos, as funções vão variar em cada etapa, mas de modo geral um estará atento à pilotagem e o outro cuidará da navegação e das comunicações externas.

O Mecânico de Voo é o responsável pelo correto funcionamento dos equipamentos e sistemas durante toda a missão. Em solo ele faz inspeções pré e pós voo para verificar como está o funcionamento geral da aeronave. Em voo ele monitora os instrumentos e auxilia os pilotos no processo de tomada de decisão, caso alguma situação anormal aconteça.

O Loadmaster é o responsável pela cabine de carga. Ele controla o carregamento e o descarregamento de carga e embarque e desembarque de pessoal, mantendo tudo dentro das limitações de peso e balanceamento. Em voo, tem papel chave para a operação no momento do lançamento de paraquedistas, quando assume o controle de abertura e fechamento da rampa de carga e assume o papel de canal de comunicação entre a tripulação e os paraquedistas.

Observadores SAR são militares treinados para localizar pessoas desaparecidas, sendo a peça fundamental da Missão de Busca. Eles são os responsáveis por localizar o que está sendo procurado e, durante o voo, ficam posicionados, um de cada lado da aeronave, observando o terreno por meio de janelas em forma de bolha, na fuselagem da aeronave, que facilitam a visualização do solo. A cada 30 minutos, as duplas de observadores são trocadas, para que todos se mantenham sempre atentos e descansados.

Os militares do PARA-SAR são treinados em atendimento pré-hospitalar, técnicas de resgate e sobrevivência. Em uma Missão de Busca com avião, é de grande importância que eles também sejam paraquedistas habilitados ao salto livre. Caso o acidente tenha ocorrido em local de difícil acesso, onde o avião não possa pousar e o resgate demorará a chegar, os paraquedistas são lançados com seus equipamentos e podem prestar os primeiros socorros às vítimas e prepará-las para o resgate.

- Missão de Salvamento

Depois de identificado o local do acidente, os meios são enviados para o resgate das vítimas. O helicóptero é a aeronave mais indicada para esse tipo de missão devido à sua versatilidade e características de voo. O H-1H do 2°/10°GAV, em Missões de Salvamento, opera com dois pilotos, um mecânico de voo, um operador de equipamentos especiais e dois militares do PARA-SAR, além de ter um guincho para içamento. A função dos pilotos no H-1H, salvo as peculiaridades da pilotagem do helicóptero, é semelhante àquela do SC-105 SAR, sendo o mais antigo também o Comandante da Aeronave. O Mecânico de Voo do helicóptero, além de cuidar do funcionamento dos equipamentos e sistemas da aeronave, também auxilia os pilotos nas manobras observando se há algum obstáculo que possa representar perigo.

O Operador de Equipamentos Especiais é o responsável por controlar o peso e o balanceamento da aeronave. Em voo, junto com o mecânico, auxilia nas manobras e no posicionamento do helicóptero. Quando necessário, é ele quem opera o guincho e garante que o militar do PARA-SAR desça e suba em segurança.

Os militares do PARA-SAR que atuam em helicópteros, assim como os do avião, estão preparados para prestar o atendimento pré-hospitalar à vítima. Neste caso, não há necessidade de serem paraquedistas, porém eles devem estar treinados para realizar todos os procedimentos de infiltração e exfiltração a partir de helicópteros.

Veja no vídeo abaixo a história de um militar que resgatou duas vezes o mesmo homem que sobreviveu a duas quedas de avião na selva.





Álbum de fotos




Transporte 2019


Hino do 2°/10° GAV


Letra - Ten. Monclar da Rocha Bastos
Música - Waldemar Henrique
Instrumentação - Zótico Guimarães Santos


Hino

Da Busca, o alerta, a mensagem
Do Esquadrão, a doutrina constante
Destemor, elevar a missão
Num trabalhar de arrojada pujança
Jurando todos, salvar sempre salvar
Por uma vida a ordem é lutar

Do Pelicano, a Bandeira do SAR
Que tem por alvo o resgate tentar
E o perigo jamais conhecer
Para que outros possam viver
II
Avante, o destino não importa
Decolar, desprezando a hora
Arrostar o momento de rijo
Pois que o tempo avançando ligeiro
Traduz premência, voltando a lembrar
Por uma vida a ordem é lutar
III
Forjada na intensa instrução
Em contínuo e adulto labor
Temperada, moldada na paz
Da perspicácia à coragem audaz
Legenda mestra, propósito do SAR
Por uma vida a ordem é lutar



TEXTO: Tenente Jornalista João Elias  |  WEBDESIGN: Cabo Lucas Marçal Freitas